Uganda, RDC e Sudão bombardeiam base de fundamentalistas cristãos

Kigali, 15 dez (EFE).- Forças militares de Uganda, República Democrática do Congo (RDC) e Sudão atacaram ontem, de forma inesperada, as bases militares dos rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), informaram hoje os três países em comunicado conjunto.

EFE |

A ofensiva, que aconteceu ontem à noite com um bombardeio aéreo por parte dos Exércitos de Uganda e da RDC, tenta acabar com mais de 20 anos de atividade do LRA.

"As Forças Armadas de Uganda (UPDF), da RDC (Fardc) e do Sul do Sudão (SPLA), em uma ação militar conjunta, atacaram, em 14 de dezembro, o refúgio do LRA e de seu chefe, o terrorista Joseph Kony, em Garamba, localidade da RDC", afirma o comunicado.

"As três Forças Armadas atacaram o grupo principal dos rebeldes e incendiaram o 'Acampamento Swahili' de Kony", acrescenta o texto.

Hoje, as forças terrestres chegaram à área bombardeada para ratificar a destruição das bases militares dos insurgentes chefiados por Kony, acusado pelo Tribunal Penal Internacional de crimes contra a Humanidade.

Em junho, Uganda, RDC e Sudão acordaram coordenar suas operações militares para pôr fim à rebelião do LRA, que desestabiliza a zona de fronteira entre os três vizinhos na Região dos Grandes Lagos Africanos.

A decisão dos três países foi tomada depois que, após dois anos de conversas de paz entre os rebeldes e Kigali, intermediadas pelo Governo regional do sul do Sudão, Kony se negou a assinar o acordo final de paz, em diversas ocasiões.

Em abril, Kony deveria assinar um armistício definitivo, mas no último momento se negou a fazê-lo, argumentando que não entendia os pontos referentes à "reconciliação e à responsabilidade pelo conflito".

O LRA, que pretende instalar em Uganda um sistema de Governo baseado nos mandamentos bíblicos, assassinou e torturou sistematicamente os civis.

Considerado um dos grupos mais sanguinários da África, ele é conhecido por seqüestrar meninos, que força a pegar em armas, e meninas, que escraviza sexualmente.

Kony e dois de seus lugar-tenentes foram acusados formalmente pelo TPI por 33 crimes de guerra e contra a Humanidade, incluindo assassinatos, violações e seqüestro de menores.

O conflito civil de Uganda causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e a fuga de aproximadamente 2 milhões de civis, que vivem em acampamentos no norte do país e dependem de assistência humanitária internacional para sobreviver. EFE fn/jp

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