UE vê mais razões para estreitar laços com América Latina

Neste momento há mais razões do que nunca para estabelecer relações privilegiadas entre UE e América Latina, considerou nesta segunda-feira em Paris o diretor geral de Relações Exteriores da Comissão Européia, Eneko Landaburu, ao encerrar um colóquio sobre os vínculos entre ambas as regiões.

AFP |

"Temos que apresentar respostas em conjunto frente aos grandes desafios que surgem neste momento", ressaltou Landaburu, referindo-se em particular ao contexto mundial da crise financeira.

O dirigente europeu ressaltou que mesmo que os países da América Latina possam ser menos afetados pela crise, não se pode ignorar o impacto provocado por uma explosão dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o que afetaria os mais pobres da região.

No entanto, Landaburu admitiu as dificuldades e os profundos desacordos entre ambos os blocos e destacou a questão da migração.

"Temos enormes dificuldades para deixar claro que temos que desenvolver uma política neste sentido", disse, lembrando que na próxima semana em Bruxelas será assinado um pacto europeu sobre as migrações.

"É um enfoque que é o nosso", explicou. "Mas o que não pode ocorrer é que as divergências em torno deste tema coloquem em questão o conjunto de nossas relações", advertiu.

Anteriormente, a vice-presidente do Banco Mundial, Pamela Cox, em declaração à AFP, havia se expressado no mesmo sentido a respeito do impacto da crise financeira mundial na América Latina.

"A América Latina está mais bem preparada por uma série de medidas de política macroeconômica (adotadas) nos últimos cinco anos", permitindo que tenha reservas fiscais, explicou.

Cox advertiu, entretanto, que é prematuro medir as conseqüências da crise na América Latina e ressaltou que há mais países expostos à "contaminação", devido as suas relações com os Estados Unidos, como é o caso de Brasil, México e dos países centro-americanos.

Por outro lado, Landaburu destacou o fracasso do multilateralismo representado pela Organização Mundial do Comércio e dos mecanismos dos acordos de Doha.

"Foram elaborados instrumentos que favoreciam os países da América Latina, mas isso não ocorrerá por esse fracasso", comentou.

A partir desta realidade, o representante da Comissão Européia explicou que há uma série de grandes desafios comuns e citou a luta contra a desigualdade, a limitação das conseqüências das mudanças climáticas, assim como o narcotráfico e a corrupção.

Landaburu destacou a capacidade conjunta de América Latina e Europa para modificar a gestão da globalização, citando algumas idéias desenvolvidas desde o início da União Européia, como a de uma economia social de mercado, que tem como projeto similar a política de coesão social desenvolvida por alguns países latino-americanos.

O colóquio realizado nesta segunda-feira em Paris, relativo aos desafios de UE, América Latina e Caribe frente à globalização, foi organizado pelo Ministério francês das Relações Exteriores, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo Instituto das Américas na França.

feff/dm

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