UE vai confirmar postura firme diante da crise na Geórgia

A União Européia (UE), que aumentou o tom ao se dirigir à Rússia e pedir que o país acabe com o conflito armado russo-georgiano, confirma a firmeza na perspectiva de ser um mediador confiável na crise.

AFP |

A presidência francesa da UE enviou neste domingo à região o chefe de sua diplomacia, Bernard Kouchner."Vamos tentar deter esta matança", comentou ele, antes de partir para a Geórgia e a Rússia.

Para o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, "existe perspectiva real de se chegar rapidamente a uma saída para a crise", após a retirada, hoje, das forças georgianas da Ossétia do Sul. Ele deve também ir a Moscou, segundo o Kremlin.

Hoje, diplomatas de Paris, Washington, Roma e Moscou mantiveram contatos intensos. O ministro dos Assuntos Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que preside um grupo de países amigos da Geórgia na ONU, conseguiu colocar em contato direto seus colegas russo, Sergueï Lavrov, e georgiano, Eka Tkeshelashvili.

Na próxima quarta-feira, ministros dos 27 países da UE devem se encontrar em Bruxelas para o árduo exercício de falar em uma só voz sobre política dos externa.

Na noite de sábado, numa declaração por escrito, a UE avisou que "a continuidade das ações militares afetaria sua relação com a Rússia".

"Há uma mudança no tom das ameaças", disse Céline Francis, especialista da Geórgia. "Será que os chefes da diplomacia vão confirmar esta linha mais forte?", questionou em seguida.

"Se a União Européia continuar firme, é provável que a Rússia fique mais inclinada a ouvi-la", disse.

"No entanto, a Rússia sabe muito bem que pode facilmente contar com a Europa graças às relações bilaterais diretas que desenvolveu com países que lhe interessam", destacou a especialista.

"A potência econômica, principalmente energética, representada pela Rússia coloca a França e a Alemanha numa posição delicada e prudente", lembrou.

Ao invadir a Geórgia, a Rússia quer mostrar à Otan que a Geórgia não é tão estável e que seria perigoso aceitar a candidatura de um país impulsivo, explicou Francis.

Moscou não está de modo algum interessado numa aproximação entre a Ossétia do Sul (Geórgia) e Ossétia do Norte (Rússia).

"É mais interessante para a Rússia uma situação de crise com repúblicas separatistas, para continuar provocando os dois lados e prejudicar a Geórgia", disse Aude Merlin, especialista em assuntos do Cáucaso e da Rússia, da Universidade livre da Bélgica.

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