UE trabalhará para que novo Governo afegão seja menos corrupto

Marina Estévez. Estocolmo, 5 set (EFE).- A União Europeia (UE) trabalhará para que o próximo Governo afegão seja menos corrupto e mais eficaz na luta contra o narcotráfico, diante da sensação crescente de que os militares não conseguirão vencer a batalha sozinhos.

EFE |

"Não acho que ganharemos esta guerra matando. Vamos ganhar, principalmente, protegendo a população", disse o ministro de Assuntos Exteriores sueco, Carl Bildt, após presidir uma reunião da UE marcada tanto pela morte de civis afegãos em um bombardeio quanto pela incerteza sobre a transparência do recente processo eleitoral.

Todos os ministros mostraram sua "preocupação" com o massacre de Kunduz, um "grave erro", segundo o francês Bernard Kouchner.

O titular sueco foi cauteloso e ressaltou que a nova estratégia militar americana e aliada no Afeganistão conseguiu reduzir as vítimas civis, apesar da intensificação dos combates.

E "para colocar as coisas em perspectiva" lembrou que os talibãs matam diariamente policiais afegãos, enforcam cidadãos em frente aos colégios eleitorais ou cortam os dedos com o qual se identificam para votar.

No conselho informal de ministros de Exteriores, não se falou de tropas nem do anúncio da Espanha de que provavelmente enviará mais soldados ao Afeganistão, mas da necessidade de reforçar a estratégia política e econômica, disse Bildt.

A Comissão Europeia (órgão executivo da UE) e os países-membros gastam 1 bilhão de euros por ano em projetos civis, como a formação da Polícia afegã, e têm a sensação que devem coordenar melhor estes investimentos e aumentar a vigilância para que este dinheiro não se perca em mãos de oficiais corruptos.

"Queremos pressionar mais o Governo e nós mesmos para evitar a corrupção", disse Bildt, em um esforço que deverá ser combinado com o fim do cultivo em massa de ópio em um país que produz 90% da heroína mundial.

Antes de dar novos passos, os ministros aguardam o resultado das eleições de 20 de agosto, após a investigação das 700 denúncias críveis recebidas pela Comissão Eleitoral afegã, provavelmente em outubro.

Mas já há ideias, como convocar uma conferência internacional em Cabul, que "marcaria uma nova estratégia de transição, após a estratégia de reconstrução", segundo o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos.

Outra possibilidade estudada é a criação de um centro de formação de funcionários e a elaboração de uma lista de especialistas europeus que respondam a necessidades identificadas em conjunto com o Governo afegão.

No setor policial, em maio, a UE decidiu duplicar o número de instrutores da Polícia mobilizados no Afeganistão de 200 para 400, a fim de fortalecer a reforma das forças da ordem locais dentro da missão Eupol.

Os europeus vão estudar agora como melhorar o financiamento desta missão.

Além disso, a UE acredita que precisa considerar a possibilidade de apoiar estruturas e mecanismos para recuperar alguns elementos da insurgência.

Durante o primeiro dia do conselho, os ministros se concentraram na situação no Oriente Médio e em analisar a sensação de certa esperança transmitida pelo alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, após sua recente viagem pela região.

De acordo com Solana, neste momento, há uma oportunidade e um "desejo partilhado pelos principais atores", incluindo Israel, para "uma nova dinâmica de paz" durante a próxima Assembleia Geral da ONU.

Para isso, confiou em que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, retifique sua intenção de autorizar novos assentamentos em território palestino. EFE met/an

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