Bruxelas, 30 dez (EFE).- A União Européia (UE) terá um 2009 especialmente intenso, com eleições para o Parlamento, uma nova Comissão Européia (CE, órgão executivo da instituição) e uma segunda tentativa de ratificar e iniciar o Tratado de Lisboa, que pode representar profundas transformações no bloco.

O ano começará sob a Presidência rotativa da República Tcheca, cujo presidente, Vaclav Klaus, é um notório "eurocético", e que ainda não ratificou o Tratado de Lisboa, embora o Governo de Praga prometa um trabalho "sólido e profissional".

Esta Presidência é, para uma fonte diplomática da CE, um exemplo de que o bloco "precisa estar preparado institucionalmente para dar respostas" rápidas a qualquer desafio.

O presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, pediu hoje que o Governo tcheco ratifique o tratado nos primeiros seis meses do ano, e disse que o impulso a esse texto será uma "tarefa fundamental" de Praga.

Já no final da Presidência tcheca, a UE realizará eleições européias em junho.

Essas eleições ajudarão a acabar com a idéia de que, segundo uma fonte comunitária, devido à crise econômica sairão favorecidos os partidos que estão na oposição em seus países, assim como os grupos ou partidos eurocéticos.

Pöttering pediu hoje que as eleições para o Parlamento Europeu consigam "uma boa participação" já que só uma UE "forte e eficaz" pode defender os interesses comuns de seus membros no mundo.

Após as eleições européias, a cúpula da UE de junho iniciará os debates sobre o nome do futuro presidente da CE, embora "todos dêem como certa" a continuidade do atual responsável, o português José Manuel Durão Barroso, acrescentou a fonte diplomática.

Em setembro, serão realizadas as eleições legislativas alemãs, um pleito muito importante, não só porque Alemanha é o país mais povoado e rico da UE, mas também porque poderiam supor o final do Governo de "grande coalizão" entre democrata-cristãos e social-democratas dirigido pela chanceler Angela Merkel.

Poucos países da UE realizarão eleições legislativas em 2009, o que dá "mais estabilidade" ao bloco, segundo a fonte, que acredita em uma possível convocação de eleições antecipadas no Reino Unido.

Em outubro ocorrerá o segundo plebiscito irlandês sobre o Tratado de Lisboa, uma consulta sobre a qual recaem todos os olhares europeus.

A cúpula da UE de dezembro decidiu que, se a Irlanda ratificar o texto, a UE voltará atrás em seus planos para reduzir o tamanho da CE, de modo que esta instituição continuará tendo um representante por cada país-membro.

Novembro será o momento da nova CE assumir suas funções, e embora a permanência de Barroso seja praticamente certa, diversas fontes antecipam que haverá caras novas.

A entrada em vigor do Tratado de Lisboa iniciaria uma reforma institucional de grande importância na UE, que teria pela primeira vez um presidente estável do Conselho Europeu.

Este presidente assumiria boa parte do papel que é atualmente exercido a cada seis meses pelo presidente rotativo.

Além disso, o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, cargo atualmente ocupado por Javier Solana, passaria a exercer também uma das vice-presidências da CE.

A Suécia, o país que exercerá a Presidência rotativa no segundo semestre do ano, já advertiu que organizará uma cúpula extraordinária na primeira semana de novembro para estudar a nomeação para esses dois cargos.

À frente da diplomacia da UE, segue a incógnita da continuidade de Solana no cargo, cujo mandato termina em 31 de outubro, segundo afirma sua porta-voz, Cristina Gallach.

Em relação ao presidente da UE, o cargo está destinado a um ex-chefe de Governo, e a UE procura uma personalidade com "visibilidade" e reconhecimento no exterior, o que limita bastante as possibilidades.

Os cotados continuam sendo os já mencionados, como o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, ou Jean-Claude Juncker, chefe do Governo luxemburguês e presidente do Eurogrupo (os países que adotam o euro como moeda), segundo a fonte diplomática.

E essa discussão merece importância, já que, como disse Sarkozy no final da cúpula da UE de dezembro, para ganhar relevância mundial "a Europa merece ter um rosto". EFE rcf/ab/jp

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