UE tenta se aproximar da América Latina após a Diretriz Retorno

A Comissão Européia deu outro passo nesta sexta-feira na renovada política de diálogo com a América Latina, com um encontro com embaixadores e a Secretaria Geral Ibero-Americana em Bruxelas, com a qual pretende virar a página do conflito provocado pela Diretriz Retorno.

AFP |

"É fundamental que nos entendamos. Estou convencida de que este foi essencialmente o problema que gerou tanta polémica a respeito da Diretriz de Retorno. Se conseguirmos nos entender, poderemos encontrar juntos soluções que convenham a todos", disse a comissária européia das Relações Exteriores, Benita Ferrero Waldner.

A imigração latino-americana para a Europa, calculada entre três e quatro milhões de pessoas, tem "uma magnitude distinta a de outras regiões e requer uma solulça mais ajustada a sua realidade", reconheceu Ferrero Waldner, destacando "o alto e rápido nível de integração" e a "enriquecedora e positiva participação" destes imigrantes nas sociedades européias.

O embaixador argentino Jorge Remes Lenicov, cujo país preside o GRULAC (Grupo Latino-Americano e do Caribe), insistiu que a Diretriz Retorno "caiu muito mal" na América Latina, mas ressaltou os passos "muito positivos" dados desde então pela União Européia (UE) no diálogo sobre questões migratórias.

O secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, destacou o diálogo como caminho "fundamental", já que a imigração "pode ser um foco de cooperação, mas também um foco de desencontro".

Iglesias destacou ainda "a importância da contribuição dos migrantes ao desenvolvimento dos países".

A Diretriz Retorno, aprovada em junho, harmoniza as condições de expulsão dos imigrantes ilegais na UE e permite deter durante 18 meses quem se recusar a sair voluntariamente, além de impor uma proibição de retorno ao território do bloco por cinco anos.

As regras foram muito criticadas na América Latina.

A reunião de cúpula da UE celebrada quinta-feira em Bruxelas aprovou um "Pacto Europeu de Imigração e Asilo" que se baseia em uma seleção de imigrantes segundo as necessidades trabalhistas de cada país, além de acabar com as regularizações em massa. No entanto, abre o caminho para uma cooperação com os países de origem.

mar/fp

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