UE tenta frear efeitos políticos da crise econômica

Bruxelas, 11 fev (EFE).- A União Europeia (UE) fará duas novas cúpulas, em março e maio, para tentar evitar que as tensões criadas pelas medidas de alguns países contra a crise econômica acabem gerando uma grave crise política entre seus 27 países-membros.

EFE |

Entre crescentes disputas entre alguns membros comunitários por reações protecionistas, a Presidência tcheca da UE, com o apoio da Comissão Europeia, optou por convocar duas novas cúpulas, uma em 1º de março e outra em maio, ainda sem data definida, mas ambas centradas na recessão e no crescente desemprego.

O presidente rotativo da UE e primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, reconheceu que as cúpulas, que se somarão ao Conselho Europeu já previsto para 19 e 20 de março, além de coordenar melhor as medidas nacionais de cada país, buscarão frear uma crise política.

"É uma das razões pelas quais achamos que é preciso discutir e acabar com todas as tensões", afirmou Topolanek em entrevista coletiva junto com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Em um gesto muito pouco frequente, ele participou hoje da reunião do Executivo europeu dedicada a preparar a resposta da União à grave situação atual.

Topolanek admitiu que a crise "trouxe problemas que a UE achou que eram do século passado", entre os quais citou "reações xenófobas"; e aceitou que a União se encontra "em uma situação critica, sem precedentes há muitas décadas".

Nas últimas semanas, o fantasma do "nacionalismo econômico" ressuscitou na UE com as violentas greves no setor energético do Reino Unido contra a chegada de trabalhadores de outros países europeus, e o plano francês para ajudar o setor automotivo, em troca de não eliminar postos de emprego.

O próprio Topolanek reagiu na semana passada com um duro comunicado, quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que seu Governo não dará ajuda estatal aos fabricantes franceses de veículos para que depois se instalem "na República Tcheca".

"Alguns problemas que estavam latentes são agora visíveis", ressaltou o primeiro-ministro tcheco, afirmando que a cúpula de 1º de março permitirá uma discussão entre os líderes comunitários para coordenar melhor as medidas nacionais aprovadas por cada país da UE.

"As medidas em nível nacional devem respeitar as regras comuns e devem ser coordenadas", insistiu Topolanek.

Barroso coincidiu em afirmar que as medidas tomadas em nível nacional por cada um dos 27 membros da UE não devem ser protecionistas, já que as respostas unilaterais correm o "risco de reações unilaterais que conduzem a uma espiral descendente".

Segundo ele, Bruxelas zelará pelo respeito às leis européias, pelo mercado comum e pela liberdade de circulação (de mercadorias, capitais, trabalhadores e serviços), "fundamento de nossa prosperidade".

O presidente da CE justificou a convocação da outra cúpula sobre o emprego quando o aumento do desemprego mostra "uma evolução muito preocupante".

O nível de desemprego na União Europeia cresceu, em 2008, de 7,2% para 8% nos países que usam o euro como moeda comum e de 6,8% para 7,4% na média dos 27 países da UE.

Barroso assinalou que, nestas circunstâncias, a ação europeia "é mais necessária do que nunca", e apresentou um calendário de reuniões e medidas que Topolanek e o plenário da Comissão discutiram hoje.

Assim, adiantou que a CE começará a debater, no dia 18 deste mês, os programas revisados de estabilidade e convergência dos países da UE, um processo que se encerrará no final deste mês.

Essa revisão enviará "uma mensagem clara" sobre como o estímulo em curto prazo -mais gastos públicos- e a estabilidade fiscal em curto e médio prazos podem seguir juntos, disse Barroso.

Além disso, em 22 de fevereiro haverá na Alemanha uma reunião dos membros da UE que participarão da cúpula do G20 de Londres de 2 de abril, com o objetivo de preparar uma postura comum europeia.

Já no dia 25, a Comissão Europeia se reunirá com representantes dos interlocutores sociais para adiantar as propostas que serão discutidas na cúpula sobre emprego, em Praga.

Barroso disse que a CE apresentará nas próximas semanas novas propostas para regular em nível europeu os fundos de alto risco ("hedge funds"), a remuneração dos executivos e o capital de risco.

EFE rcf/jp

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