UE tenta aplacar conflito na República Democrática do Congo

A União Européia (UE) está tentando conter o conflito no leste da República Democrática do Congo com a visita a Kinshasa dos chanceleres britânico e francês, após obter um encontro entre os presidentes da RDC (ex-Zaire), Joseph Kabila e de Ruanda, Paul Kagame.

AFP |

Os ministros das Relações Exteriores da França, Bernard Koucher, e da Grã-Bretanha, David Miliband, se reuniram na manhã deste sábado com o presidente da RDC, Joseph Kabila, no Palácio da Nação, constatou um jornalista da AFP.

"O tema chave de nossa entrevista (com Kabila) foi a necessidade de aplicar os acordos que já foram alcançados e que implicam a responsabilidade de todas as partes", afirmou Miliband à imprensa ao sair do encontro.

Miliband se referia aos acordos de Nairobi (2007) e de Goma (2008).

"Não temos que redefinir o protocolo de paz (...) Isso já foi feito", acrescentou Kouchner, cujo país exerce a presidência temporária da UE.

Depois, Kouchner e Miliband partiram rumo a Goma, capital da província de Kivu Norte, e epicentro dos combates que nos últimos dias obrigaram dezenas de milhares de civis a deixarem suas casas, famintos e sem ajuda, devido à insegurança que reina no território.

Os dois chanceleres devem se reunir em Goma com o governador da província, o comandante da Missão da ONU na RDC (MONUC) e representantes de ONG's, antes de partir para Kigal.

Sexta-feira, o comissário europeu de Ajuda Humanitária, Louis Michel, anunciou em Kinshasa que Kabila e Kagame, que não se falam há meses, concordaram participar de uma reunião internacional do mais alto nível sobre a paz no antigo Zaire, desgarrado há mais de dez anos por reiterados conflitos.

"Percebi sinceramente a vontade de todas as pessoas de escolher o diálogo e sua vontade de acabar com as causas que castigam este país", disse Michel.

Esta reunião deve ser realizada em Nairobi sob a égide da ONU, com a participação dos chefes de Estado da região dos Grandes Lagos, organizações regionais e a União Africana (UA).

Apesar da viagem à região de Miliband e Kouchner, o secretrário de Estado britânico para Relações Exteriores, Mark Malloch Brown, esclareceu sábado à rádio e à televisão pública BBC que o envio de tropas européias pode ser uma opção, "se for necessário", mas por enquanto prefere a via diplomática.

No terreno, a trégua unilateral decretada pela rebelião às portas de Goma continua, mas a situação está longe de se acalmar.

bur-jpc/gc/lm

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