UE tenta apaziguar ânimos, mas Síria não descarta guerra com Israel

Damasco, 3 fev (EFE).- O ministro de Exteriores sírio, Walid al-Moallem, disse hoje não descartar uma futura guerra com Israel, durante uma visita a Damasco de Miguel Ángel Moratinos, chanceler da Espanha, país que assumiu neste semestre a Presidência da União Europeia (UE).

EFE |

Em entrevista coletiva conjunta, Al-Moallem advertiu que "se essa guerra estourar, e existe essa possibilidade porque (Israel) é uma entidade baseada na violência e na expansão, a guerra será global, comece ela no sul do Líbano ou na Síria".

No entanto, Moratinos, que nos últimos dois dias visitou Israel e os territórios palestinos, afirmou seu discurso não ter ouvido "tambores de guerra", mas sim o desejo de paz do país judeu.

"Vim de Israel após me reunir com a maioria dos responsáveis do Governo e afirmo que não ouvi 'tambores de guerra', mas um desejo pela paz", explicou Moratinos. A visita à Síria faz parte de sua primeira viagem pelo Oriente Médio desde que a Espanha assumiu a Presidência rotativa da UE.

Mesmo assim, o ministro de Exteriores sírio acusou Israel de "estar semeando o ambiente da guerra na região".

"Peço (a Israel) que deixe de fazer o papel de pistoleiro da região. Um dia vocês ameaçam Gaza, no dia seguinte o Líbano, em seguida o Irã e agora a Síria", disse al-Moallem.

As declarações de al-Moallem são feitas três dias depois de o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, advertir também sobre a possibilidade de uma nova guerra no Oriente Médio perante a estagnação do processo de paz com a Síria.

Apesar de suas advertências, al-Moallem pediu a Israel que não perca a razão e escolha o caminho da paz que, segundo ele, está claro.

"Se eclodir uma guerra entre Síria e Israel, descarto que qualquer geração vindoura faça negociações de paz (com Israel)", disse.

As negociações de paz indiretas entre Israel e Síria, com a mediação da Turquia, estão paralisadas há mais de um ano, quando houve a ofensiva israelense na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Nesse sentido, Moratinos insistiu que a retomada do processo de paz no Oriente Médio é uma prioridade para a Presidência espanhola da UE e expressou seu apoio à mediação da Turquia para aproximar as opiniões entre Damasco e Jerusalém.

Essa é uma visão compartilhada pelo regime sírio. Ontem, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, ressaltou a necessidade de Ancara intervir nas negociações de paz. Hoje, al-Mouallem enfatizou o papel dos EUA e da UE nesse processo.

Antes da entrevista à imprensa, Moratinos se reuniu com o presidente sírio, com quem conversou sobre os últimos acontecimentos na região, o estagnado processo de paz e as perspectivas futuras, informou a agência de notícias oficial "Sana".

Na reunião, Al-Assad se queixou da falta de seriedade de Israel em conseguir a paz porque todos os fatos indicam que o Estado israelense empurra a região rumo à guerra e não à paz.

Moratinos, por sua vez, ressaltou a importância da coordenação e das consultas entre Madri e Damasco sobre diferentes temas que interessam à região. Além disso, destacou o papel positivo desempenhado pela Síria para garantir a segurança e a estabilidade no Oriente Médio.

Tanto Moratinos quanto al-Moallem "lembraram os excelentes laços históricos que unem Síria e Espanha em diferentes âmbitos e a importância de fortalecer os contatos entre os povos do Mar Mediterrâneo e os laços entre Síria e a UE", indicou a agência "Sana". EFE gb/sa

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