UE suspende negociações sobre parceria reforçada com Moscou

Os dirigentes da União Européia (UE) foram mais firmes que o previsto com a Rússia, nesta segunda-feira, ao anunciar a suspensão das negociações em curso sobre uma parceria reforçada com Moscou enquanto as tropas russas não se retirarem de suas posições na Geórgia.

Redação com agências internacionais |

"Enquanto a retirada das tropas não for finalizada, as reuniões para a negociação do acordo de parceria ficarão suspensas", disseram os dirigentes dos 27 países membros em sua declaração comum, ao término de uma cúpula extraordinária em Bruxelas.

O presidente francês Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da UE, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, anunciaram que viajarão na próxima segunda-feira a Moscou e a Tbilisi junto com o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, para tentar acelerar a retirada russa da Geórgia.

As negociações sobre uma parceria estratégica com Moscou, que começaram em julho e deviam continuar no dia 15 de setembro em Bruxelas, têm como objetivo intensificar as relações econômicas, energéticas e políticas entre Rússia e UE.

De acordo com a chanceler alemã, Angela Merkel, as negociações poderão recomeçar assim que as tropas russas deixarem as cidades georgianas de Poti e Senaki. "É a única condição", destacou.

Segundo diplomatas, o rascunho da declaração não mencionava a suspensão das negociações, mas os europeus decidiram adotar um tom mais duro contra a Rússia a pedido dos alemães, dos poloneses e dos britânicos.

Consenso inesperado

A maioria dos dirigentes elogiou o "sinal de unidade" e o "consenso" encontrado pelos participantes da cúpula, muito divididos sobre Moscou nos últimos meses.

"Estamos satisfeitos com o fato de um consenso reunindo os diferentes interesses dos países membros ter sido encontrado", ressaltou Merkel, cujo país é considerado moderado com a Rússia.

Os dirigentes poloneses, que integram o lado mais "linha-dura" contra Moscou, também se disseram satisfeitos com as decisões tomadas durante esta cúpula extraordinária, a primeira convocada pela UE desde a guerra no Iraque.

"Estamos no caminho certo", declarou o presidente da Polônia, Lech Kaczynski.

O primeiro-ministro polonês Donald Tusk, que também participou da cúpula, elogiou "a posição homogênea, responsável e determinada" da UE.

De um modo geral, a UE prometeu "vigilância" em suas relações com Moscou, e pediu à Comissão que examine "com atenção" a situação, "na perspectiva da próxima reunião entre UE e Rússia, prevista para o dia 14 de novembro em Nice (sul da França)".

Os 27 membros da UE ainda não mencionaram eventuais sanções contra a Rússia.

"Se tivermos que chegar a esse ponto, assumiremos nossas responsabilidades, mas essa hora ainda não chegou", declarou Sarkozy.

"Não vamos promover a guerra fria com demonstrações de força e sanções. Ninguém sairá ganhando", acrescentou.

Num momento em que o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, pedia aos europeus que não apoiassem o governo do presidente georgiano Mikhail Saakashvili, a UE anunciou um reforço da ajuda econômica e humanitária à Geórgia.

A UE confirmou a organização de uma conferência internacional de doadores para contribuir para a reconstrução deste país.

Entenda a crise

A Rússia reconheceu formalmente, no dia 19 de agosto, a independência das províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia da Geórgia. A decisão provocou uma reação do governo da Geórgia, que acusou a Rússia de estar anexando ostensivamente seu território.

A comunidade internacional também reagiu à medida russa. Os Estados Unidos e a França qualificaram a decisão de "lamentável". A Grã-Bretanha disse que rejeita categoricamente a medida.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que a declaração viola várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU endossadas pela própria Rússia.

Entretanto, os líderes da Ossétia do Sul e da Abkházia, que proclamaram independência no início da década de 1990, agradeceram à Rússia e não descartam a possibilidade de se unirem futuramente ao país, a Abkházia como república federada e a Ossétia do Sul integrando-se à vizinha russa Ossétia do Norte.


                              Mapa da Geórgia

(*Com informações das agências AFP, EFE e Reuters)


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