UE suspende negociação de acordo com Rússia

A União Européia suspendeu nesta segunda-feira as negociações para um novo acordo de associação com a Rússia até que o país retire suas tropas da Geórgia e retorne às posições anteriores ao início do conflito na Ossétia do Sul. Está claro que, à vista dos últimos acontecimentos, nossa relação não pode seguir igual, afirmou o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, ao final da cúpula extraordinária sobre a crise no Cáucaso realizada em Bruxelas.

BBC Brasil |

Barroso viajará a Moscou na próxima segunda-feira, acompanhado do presidente da França, Nicolas Sarkozy, cujo país ocupa a presidência rotativa da União Européia, para verificar o cumprimento do acordo de paz de seis pontos assinado entre Moscou e Tbilisi.

Segundo Sarkozy, a reunião será "extremamente importante" para o futuro das relações entre a União Européia e a Rússia e decisiva para o futuro do acordo de associação, cujas negociações estavam programadas para seguir no próximo dia 15.

Além disso, o presidente francês disse que a União Européia vai "acelerar" o estabelecimento de um mecanismo internacional de observação "para verificar que todas as partes respeitem escrupulosamente o acordo de paz".

Ainda assim, afirmou que a cúpula desta segunda-feira, a primeira convocada extraordinariamente desde a invasão do Iraque, em 2003, "não foi dirigida contra a Rússia", país responsável por mais de 40% de todo o gás e petróleo importado pelo bloco europeu.

Geórgia
Sarkozy também quis deixar claro que o apoio europeu à Geórgia será apenas "financeiro, humanitário e econômico".

Começará com a negociação de um acordo para a facilitação de vistos a seus cidadãos e do estabelecimento de uma área de livre comércio entre ambas partes.

Os líderes europeus decidiram enviar uma nova missão ao país, cujos detalhes devem ser decididos durante sua próxima reunião, marcada para o dia 15, e nomear um enviado especial para a crise no Cáucaso.

A União Européia se comprometeu ainda a organizar uma conferência internacional para arrecadar fundos para a reconstrução da Geórgia.

Diante da dimensão da crise, os europeus consideraram importante intensificar também as relações com os demais países do Cáucaso, especialmente Ucrânia e Moldávia, que muitos especialistas consideram o próximo alvo de Moscou.

Essa idéia fará parte da agenda da cúpula entre União Européia e Ucrânia, na próxima semana, em Avignon (França). Mas o primeiro passo deve ser dado em março de 2009, quando os líderes europeus pretendem adotar uma proposta para o estabelecimento de uma "parceria oriental" com os países banhados pelo Mar Negro.

A cúpula desta segunda-feira também foi concluída com uma auto-reflexão: a certeza de que a União Européia precisa, mais do que nunca, investir na diversificação de suas fontes de energia e rotas para o abastecimento energético.

Segundo o documento de conclusões, a Comissão Européia iniciará imediatamente estudos a esse respeito.

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