UE soma parceiros asiáticos à luta por reforma de instituições financeiras

José Manuel Sanz. Pequim, 25 out (EFE).- A União Européia (UE) conseguiu hoje unir seus principais parceiros asiáticos à campanha que defende desde o início da crise econômica, a favor de uma reforma das regras e das instituições financeiras internacionais.

EFE |

A 7ª cúpula do Encontro Ásia-Europa (Asem) terminou hoje, em Pequim, com o compromisso de ambas as partes de cooperarem na busca por uma "reforma global e efetiva dos sistemas financeiro e monetário internacional".

Europeus e asiáticos também expressaram seu apoio explícito à realização, em 15 de novembro, em Washington, de uma cúpula internacional extraordinária para abordar tanto a atual crise quanto os princípios dessa reforma e da estabilidade a longo prazo da economia mundial.

Na entrevista coletiva de encerramento, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, cujo país ocupa a Presidência rotativa da UE, disse que a cúpula em Washington "tomará decisões concretas".

"Todos compreenderam que não é possível que nos reunamos somente para falar", disse.

A China e os outros países asiáticos convidados para a reunião em Washington - Japão, Coréia do Sul, Índia e Indonésia - confirmaram participação.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, anunciou que seu país tomará parte "de maneira ativa" nos trabalhos da reunião que começa a ser considerada um "novo Bretton Woods", conferência em que os Aliados, com a Segunda Guerra Mundial praticamente vencida, colocaram, em 1944, as bases do sistema atual.

"Discutiremos com os líderes mundiais sobre as medidas destinadas a enfrentar a crise financeira de uma forma pragmática e cooperativa", disse o premiê chinês.

Wen não deixou claro se será ele ou o presidente chinês, Hu Jintao, quem irá à reunião na capital americana.

Segundo Wen, as medidas adotadas pelos países desenvolvidos para restabelecer a confiança foram adequadas, "mas não suficientes".

Os participantes da Asem reivindicaram um equilíbrio mais adequado entre a inovação financeira e a regulação.

De acordo com Wen, são necessárias inovações, "mas é preciso conseguir um desenvolvimento saudável da economia virtual", para que não prejudique a economia real.

A China dizia até pouco tempo que sua "abertura controlada" às trocas financeiras permitiu que o país escapasse imune à queda provocada pelas hipotecas "subprime", mas o primeiro-ministro admitiu hoje que a desaceleração mundial provocada pela crise já está afetando o crescimento do país.

As medidas tomadas por Pequim para revitalizar a demanda interna é a melhor contribuição que o país pode dar para a melhoria da economia mundial, disse.

A cúpula de Washington acontecerá entre os países do G20, formado pelo G8 (grupos dos sete países mais industrializados mais a Rússia), pela UE e pelos principais países emergentes: Brasil, Argentina, Austrália, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul e Turquia.

Os europeus incluem na agenda da reforma questões como a necessidade de uma supervisão global dos mercados financeiros, a revisão do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI), a regulação dos créditos de alto risco e produtos derivados, e a remuneração dos altos executivos.

Sarkozy também falou sobre se o G20 discutirá as taxas de câmbio entre as moedas.

"Parece impossível", disse, "falar das questões fiscais e da crise financeira e não falar das moedas, da maneira em que umas evoluem a respeito das outras".

Destacou que o assunto é mais oportuno ainda no momento em que o iene japonês acaba de valorizar "11% em poucas horas".

Europeus e asiáticos também expressaram, em Pequim, em declaração separada, seu compromisso comum com o desenvolvimento sustentável.

Ambas as partes reafirmaram a necessidade de um objetivo global em longo prazo para a redução de emissões de gases poluentes na atmosfera, algo a que os europeus já se comprometeram unilateralmente.

No entanto, a declaração comum afirma que esse objetivo de redução deverá levar em conta o princípio da "responsabilidade comum, mas diferenciada", as capacidades respectivas de cada parte, assim como "as condições econômicas e sociais, e outros fatores relevantes". EFE jms/fh/an

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