UE segue negociando com EUA sobre detidos de Guantánamo

Bruxelas, 27 mai (EFE).- A União Europeia (UE) segue negociando com os Estados Unidos para receber alguns dos detidos de Guantánamo, dentro do acordo para que vários deles sejam transferidos a países europeus.

EFE |

Representantes da UE e dos EUA mantiveram hoje uma conversa por videoconferência sobre esta questão, que faz parte do debate para conseguir um marco comum sobre a amparada a alguns detidos desse centro de detenção americano, segundo fontes comunitárias.

A parte europeia argumenta que será mais fácil explicar a chegada a seus países de alguns detidos de Guantánamo se o Governo de Washington der exemplo e permitir que outros fiquem em seu território.

Os países da UE discutiram hoje, em nível de embaixadores, a possibilidade de definir uma declaração conjunta com Washington que estabeleça essa possibilidade e o compromisso dos EUA de que a luta antiterrorista acontecerá dentro do respeito a todos os convênios internacionais sobre direitos humanos.

Um pequeno grupo de países, liderado pela Alemanha, é reticente a conseguir agora um acordo com Washington, já que o Governo do presidente americano, Barack Obama, ainda não concluiu a revisão de sua política sobre Guantánamo e não querem que seja interpretado como uma ingerência em questões internas.

No entanto, a maioria dos membros da UE quer fechar já um acordo, porque complementaria o marco que os europeus devem definir no Conselho de Ministros de Justiça e Interior dos próximos dias 4 e 5 de junho, disseram as fontes.

Os europeus também querem que os Estados Unidos, como responsável da criação de Guantánamo, ofereçam compensações econômicas, mas ainda não foi definido se seriam aos detidos ou aos países que os receberem.

Os 27 países-membros da UE estão avançados no acordo interno sobre a chegada de alguns detidos, que seria unicamente para pessoas às quais os EUA considerar que podem ser libertadas, porque não há provas contra elas.

Além disso, seria só para os Estados-membros que quiserem e dentro de um sistema de troca de informação sobre identidade e local de residência, e também com avaliações periódicas sobre sua integração.

Apenas Áustria e Alemanha mantêm algumas reservas, já que buscam que sejam estabelecidas por escrito as medidas de segurança a serem aplicadas, disseram as fontes.

Os Estados Unidos estão revisando os casos dos aproximadamente 240 detidos que continuam em Guantánamo, dentro da decisão de Obama de fechar esse centro no início do próximo ano.

A anterior Administração de George W. Bush estabeleceu que cerca de 60 detidos podem ser libertados, porque não existem elementos que os relacionem ao terrorismo.

No entanto, esses detidos não podem voltar a seus países (como China, Líbia ou Egito), porque temem sofrer torturas ou detenções pelas autoridades locais, após ficarem anos presos em Guantánamo.

Até agora, pelo menos nove países da União Europeia (Espanha, Portugal, França, Alemanha, Finlândia, Irlanda, Estônia, Letônia e Lituânia) se mostraram dispostos a receber alguns deles. EFE rcf/an

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