UE segue dividida sobre medidas do bloco para combater a crise

Bruxelas, 8 dez (EFE) - Os países da União Européia seguiram hoje divididos sobre as medidas propostas pela Comissão Européia (CE, braço Executivo do bloco) para combater a crise, sobre as quais os chefes de Estado e de Governo da UE deverão se pronunciar na cúpula desta quinta e sexta-feira.

EFE |

Os ministros de Exteriores do bloco debateram hoje em Bruxelas os preparativos para o Conselho Europeu e deixaram claro que persistem as divergências já surgidas na reunião de titulares de Finanças da semana passada.

As principais divergências seguem centrando-se na redução do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), a meta de que o plano gere recursos no total de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE, a modificação das perspectivas financeiras, o respeito ao Pacto de Estabilidade ou a flexibilização das ajudas de Estado.

"Há muitos problemas na questão econômica e financeira para a cúpula", afirmou à Agência Efe uma fonte.

Ela acrescentou que a Alemanha, um dos países mais críticos, "não se movimentou hoje um centímetro" e, inclusive, não enviou à reunião seu ministro de Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, o que significa que deixa todo o trabalho para a chanceler alemã, Angela Merkel, na cúpula.

A proposta da CE destaca que o gasto total deve chegar a 200 bilhões de euros (1,5% do PIB da UE), dos quais 170 bilhões de euros devem provir dos países-membros.

No debate de hoje, vários países, como Eslováquia ou República Tcheca, mostraram seu descontentamento com "um objetivo cifrado" e pediram que sejam consideradas as diferentes situações financeiras de cada membro da UE, explicou outra fonte do bloco.

Já a Holanda ressaltou que nem todos os países da União Européia precisam do mesmo tipo de medidas, enquanto Luxemburgo insistiu no respeito ao Pacto de Estabilidade, que fixa um limite de 3% do PIB para o déficit público.

Além disso, um grande número de países da Europa Central e do Leste Europeu se mostrou contrário a uma redução do IVA para serviços com muita mão-de-obra, uma posição habitualmente defendida pela Alemanha, em contraposição à França.

Quanto à flexibilização das normas de concorrência, os países nórdicos mostraram preocupação com a possibilidade de que possa ter efeitos nocivos na livre competição.

Vários países expressaram também oposição à proposta da CE de que sejam empregados 5 bilhões de euros do orçamento do bloco que não foram utilizados para melhorar as infra-estruturas energéticas do continente e para projetos de banda larga.

Esta oposição se deve às reservas dessas nações a "flexibilizar o orçamento" do bloco, acrescentou a segunda fonte.

Por outro lado, há uma coincidência geral a favor de que os cofres do bloco e o Banco Europeu de Investimentos (BEI) coloquem os 30 bilhões de euros restantes ao plano apresentado pela CE em 26 de novembro. EFE rcf/db

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