Bruxelas, 24 jul (EFE).- Os países da União Européia (UE) continuam divididos em relação ao cartão azul para imigrantes altamente qualificados e a imposição de sanções penais aos empresários que empregarem estrangeiros em situação irregular.

Os ministros de Imigração dos países da UE não conseguiram avanços sobre as duas propostas, que fazem parte da estratégia do bloco europeu de promover a imigração legal, que a Presidência rotativa francesa quer aprovar até o final do ano.

O comissário de Justiça, Segurança e Liberdades, Jacques Barrot, se mostrou disposto a flexibilizar a questão das sanções penais para os empresários após constatar a oposição de sete países, liderados pela Alemanha, que mostraram a divisão interna em relação ao combate à imigração ilegal.

A discussão sobre as sanções a quem der trabalho aos ilegais se concentrou em dois pontos: a possibilidade de estabelecer medidas penais nos casos de abusos e a proposta da missão para inspecionar pelo menos 5% das empresas todos os anos.

Os sete países contrários às medidas penais argumentaram que é melhor deixar cada Estado-membro decidir que tipo de sanções aplicar.

"A Alemanha considera as sanções penais como algo não-justificado. Há outras formas de combater a imigração ilegal", disse o ministro do Interior alemão, Wolfgang Schäuble.

A Espanha insistiu em seu apoio à idéia, e o ministro do Trabalho e Imigração, Celestino Corbacho, a considerou "um passo na direção adequada de combater a imigração ilegal", já que "o culpado é quem a explora".

Outros 12 países apoiaram a idéia da criação de sanções penais mínimas na UE, e vários deles já as aplicam em seus territórios, apesar de nem todos os Estados-membros não discursarem no debate de hoje.

Quanto às inspeções, o número de 5% ao ano já representa uma diminuição em relação aos 10% propostos pela Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE) há um ano, mas mesmo assim a grande maioria dos países insistiu que o importante é a qualidade, não só a quantidade, por isso pediram atenção especial aos setores de risco.

Quanto ao "cartão azul", as divisões são basicamente em torno de como definir o que é um imigrante altamente qualificado. Enquanto há quem ache que essa definição possa ser feita em torno do salário, outros preferem pelo tipo de título educacional que tenha conseguido.

A Espanha defende que, em lugar de calcular a partir do salário médio, deve-se partir dos convênios coletivos, disse Corbacho em entrevista coletiva.

O ministro espanhol acrescentou que, em relação aos títulos educacionais, o Governo de seu país prefere que sejam de ciclos superiores de quatro anos, embora em outros países exijam três ou cinco anos de experiência.

Corbacho insistiu na posição espanhola de que a UE, apesar da necessidade de atrais "cada vez mais" mão-de-obra muito qualificada de outros países do bloco, deve buscar formas de compensar os países de origem a fim de estes não serem prejudicados por uma "fuga de cérebros".

Barrot explicou que o "cartão azul" não substituirá as permissões nacionais de residência, mas oferecerá mobilidade dentro do solo europeu.

O objetivo da UE é se tornar um lugar mais atraente para os trabalhadores altamente qualificados de outros países, que atualmente preferem destinos como Estados Unidos, Canadá e Austrália. EFE rcf/wr/plc

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