UE se une para pedir avanços rápidos na reforma do sistema financeiro mundial

Os líderes da União Européia (UE) adotaram nesta sexta-feira, em Bruxelas, uma posição comum em relação à reforma do sistema financeiro mundial e que será expressa na cúpula do G20, no próximo dia 15, em Washington, com a expectativa de obter resultados rápidos a partir de 2009, quando Barack Obama assumirá a Casa Branca.

AFP |

"Posso dizer que há uma posição comum bastante detalhada da Europa", declarou o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da UE, no encerramento de uma cúpula extraordinária dos 27 países membros do bloco, convocada como preparação para o encontro de Washington.

"A Europa irá a Washington com a vontade de defender uma linha, a da transparência e da refundação", acrescentou Sarkozy, explicando que a UE deve ser ouvida "rapidamente".

De fato, a UE já fala em uma segunda cúpula do G20 de países industrializados e potências emergentes sobre a reforma do sistema financeiro mundial "100 dias" depois da reunião do dia 15 de novembro, segundo o texto aprovado em Bruxelas.

"Um período de 100 dias deve ser aproveitado a partir de 15 de novembro para preparar as medidas de aplicação dos princípios" de reforma do sistema financeiro, por exemplo, transparência e uma melhor regulação dos mercados, indica o documento.

Para alcançar estes resultados o mais rápido possível, os europeus contam com a chegada do presidente eleito americano, Barack Obama, à Casa Branca, já que ele se mostrou mais aberto durante sua campanha eleitoral a um reforço na regulação dos mercados que o atual governante, o republicano George W. Bush.

Além de mais regulação e transparência dos mercados, a presidência francesa da UE defende um papel reforçado do Fundo Monetário Internacional (FMI) nessa nova arquitetura.

Durante a cúpula de Bruxelas, os líderes europeus também concordaram em coordenar sua resposta contra a crise econômica, que causa "preocupação" com o atual panorama de recessão, destacou Sarkozy.

"Estamos todos de acordo com a necessidade absoluta de uma coordenação das políticas econômicas na Europa", disse, apesar da Alemanha ter manifestado algumas reservas nesse ponto.

Contudo, se da porta para fora a intenção da UE é passar uma imagem de unidade e coesão, a Suécia não ocultou suas críticas à França por considerar que o país busca um "excesso de rrgulação".

No encontro de Bruxelas, Sarkozy informou seus sócios europeus sobre sua decisão de ceder à Espanha uma das cadeiras francesas para participar da cúpula do G20 em Washington.

"Não há problema algum que a Espanha ocupe uma das duas cadeiras" da França (uma pela presidência da UE e outra por fazer parte do G7) na cúpula do G20, disse Sarkozy.

"É difícil explicar por quê a Espanha, que é a oitava economia do mundo, não tem um lugar entre as 20 maiores economias. Eu disse isso para os 27 membros da UE", acrescentou, afirmando ter defendido sua atitude perante Bush, organizador da cúpula.

A França também é a favor da participação da Holanda na cúpula, caso o governo holandês queira ir a Washington, indicou Sarkozy.

Mas o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou que agora cabe a Bush decidir convidá-lo para a reunião do G20, do qual a Espanha não faz parte.

"Esta é uma reunião convocada pelo presidente Bush e é ele que deve, no diálogo com a União Européia, tomar as decisões oportunas", declarou Zapatero, agradecendo o "esforço" de Sarkozy para que a Espanha participe pela primeira vez de uma reunião deste formato.

bur-mar/ap

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