Os líderes da União Européia (UE) iniciam na tarde desta quinta-feira em Bruxelas uma reunião de cúpula, sob pressão e com o objetivo de aprovar um ambicioso plano de luta contra as mudanças climáticas que possa servir de modelo mundial, apesar de Alemanha e Itália estarem dispostas a defender suas indústrias.

Além do aquecimento global, os chefes de Estado e de Governo da UE também pretendem aprovar o plano europeu de estímulo econômico e obter um compromisso da Irlanda para organizar um novo referendo sobre o Tratado de Lisboa.

"O que precisamos agora é liderança. Esperamos que esta liderança venha da União Européia", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no plenário da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que reúne mais de 12.000 delegados de 190 países em Poznan, leste da Polônia.

"As decisões que os dirigentes europeus adotam atualmente em Bruxelas terão importantes conseqüências para todo o mundo", acrescentou.

Os governantes dos 27 países da UE se reúnem em Bruxelas para tentar concluir um acordo sobre as medidas européias para lutar contra o aquecimento global, com o objetivo reduzir até 2020 as emissões dos gases que provocam o efeito estufa em 20%, numa comparação com os níveis de 1990.

Para o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da UE, o desafio é convencer a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e o premier polonês Donald Tusk.

Merkel e Berlusconi pretendem batalhar pelo maior número possível de isenções à obrigação estabelecida pelo plano europeu para que os países desenvolvidos paguem pelas emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir de 2013.

Durante o encontro de Bruxelas, a UE deve aprovar ainda o programa de estímulo econômico, adotado pela Comissão Européia, de 260 bilhões de dólares (200 bilhões de de euros).

Esta é mais uma questão que opõe França e Alemanha, que afirma não estar disposta a pagar pelos outros, como aconteceu tantas vezes por causa do princípio de solidariedade.

Além disso, os líderes da UE pretendem obter um compromisso da Irlanda a organizar outro referendo para adotar o Tratado Europeu de Lisboa antes de novembro de 2009, em troca de algumas garantias.

"O governo irlandês se compromete a buscar a ratificação do tratado de Lisboa antes do fim da atual Comissão Européia, em troca de algumas garantias", afirma um projeto de compromisso que será apresentado na reunião de cúpula e do qual a AFP obteve uma cópia..

O mandato do atual poder Executivo da União Européia acaba em outubro de 2009.

A Irlanda, cujos eleitores rejeitaram o tratado em junho, tem a obrigação constitucional de adotar o texto por meio de um referendo. Os outros 26 membros da UE já aprovaram o texto, ou ainda o farão, pela via parlamentar.

bur-mar/fp

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