UE se oferece para mediar saída para crise na Bolívia

BRUXELAS - A União Europeia (UE) pediu nesta sexta-feira às autoridades bolivianas e aos líderes de oposição que entrem rapidamente em ação para dissolver a tensão política no país, que gerou violentos protestos, e ofereceu-se para mediar o impasse.

Redação com agências internacionais |


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Acordo Ortográfico O bloco de 27 nações denunciou a violência nas províncias do país governadas por políticos de oposição ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Ontem, pelo menos oito pessoas morreram em confrontos ocorridos em Pando, no norte do país.

Numa declaração divulgada hoje em Bruxelas, a UE conclama "todas as partes e adotarem medidas para o rápido estabelecimento" de negociações para impedir que a situação piore. A UE ofereceu-se para mediar uma saída para a crise e lamentou que alguns de seus projetos de ajuda tenham sido atacados pelos manifestantes de oposição a Morales. Esses projetos, afirma a UE, têm como objetivo ajudar a parcela mais pobre da população.

Temores de guerra civil

A morte de oito pessoas em confrontos no Estado de Pando, na quinta-feira, despertaram em diferentes setores o temor de que ocorra uma guerra civil na Bolívia .

"Se nada mudar, estamos caminhando para uma guerra civil de baixa intensidade, mas guerra civil. Civis brigando contra civis e sem a intervenção das forças de segurança", disse à BBC Brasil o analista Gonzalo Chávez, diretor de mestrado para o desenvolvimento da Universidade Católica Boliviana.

"É uma situação limite. As disputas eram com paus e pedras, mas agora tem gente armada."

As mortes em Pando teriam sido provocadas por tiros, segundo o prefeito (governador) Leopoldo Fernández.

Golpe civil

No fim da noite de quinta-feira, o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, acusou uma "quadrilha de terroristas" de arquitetar um "golpe de estado cívico-empresarial".

"Estamos diante de uma quadrilha de terroristas e assaltantes que está colocando em marcha um golpe de estado cívico-empresarial. Eles estão dispostos até a matar os bolivianos", acusou. Linera responsabilizou a Prefeitura de Pando pelas mortes.

O presidente do Comitê Pró-Tarija, Reynaldo Bayard, também falou em "guerra civil", declarou. "Se continuar assim, vamos acabar numa guerra civil".

Às lágrimas diante das câmeras de televisão, em La Paz, a ministra da Justiça, Celima Torrico Rojas, pediu "diálogo" e "o fim da violência". "Por que os civis acham que só eles podem chegar a determinados cargos, e nós, indígenas, não?", indagou.

Mapa da tensão

Os departamentos (Estados) bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales.

Os departamentos rejeitam a nova Constituição, defendida pelo presidente Evo Morales, e exigem que o governo devolva às províncias cerca de US$ 166 milhões em royalties do petróleo e gás relocados para a previdência social.

Eles ficam no leste da Bolívia e são os departamentos mais ricos do país, graças principalmente à produção de gás e soja. O departamento de Tarija, por exemplo, possui mais de 80% das reservas de gás bolivianas.

O oeste da Bolívia, onde vive a maior parte da população indígena, é a região em que o presidente conta com mais apoio.


Mapa político da Bolívia

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Com EFE, BBC Brasil e Agência Estado

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