UE se divide sobre necessidade de conversar com o Hamas

Estrasburgo (França), 14 jan (EFE).- Vários eurodeputados de diferentes grupos defenderam hoje a necessidade de a União Européia (UE) iniciar contatos com o Hamas na busca pela paz em Gaza, um passo que enfrenta a oposição de outras forças políticas do e até da Presidência do bloco.

EFE |

Esse foi o principal ponto de divergência no debate sobre a situação em Gaza realizado hoje pelo Parlamento Europeu, que amanhã aprovará uma resolução pedindo a Israel e ao movimento islâmico um cessar-fogo "imediato e permanente".

"Acho que vamos ter de falar com o Hamas", disse o líder do grupo Socialista, o alemão Martin Schulz, que defendeu o diálogo com a organização, apesar de a Europa não compartilhar seus valores.

"Quando era criança, nos diziam claramente que não se devia falar com os terroristas, e assinalavam na época que (Yasser) Arafat era o pior de todos eles. Alguns anos depois, Arafat recebeu junto com outras pessoas o Nobel da Paz. Isto pode voltar a acontecer", insistiu Schulz.

O alemão assegurou que entende o fato de Israel não poder negociar diretamente com o Hamas, mas se mostrou a favor de uma intermediação internacional na qual se possa desenvolver esse diálogo.

No entanto, deputados de outros grupos vetaram qualquer iniciativa de contato com o Hamas, como precisou a italiana Cristina Muscardini (Grupo Europa das Nações), que assegurou que "o diálogo com os terroristas não deve ser justificado pelas mortes de civis, porque isto criaria o risco de legitimar a violência no futuro".

O ministro de Exteriores tcheco, Karel Schwarzenberg, assegurou que a UE não pode "abandonar seus princípios" neste assunto.

"Eu vi diversas organizações terroristas que terminaram se tornando respeitáveis para a comunidade internacional, mas em primeiro lugar é preciso deixar de atuar como organização terrorista. Nesse momento, estarei disposto a falar com o Hamas, mas não antes", afirmou o chefe da diplomacia da República Tcheca, país que ostenta este semestre a Presidência de turno da UE.

Para a Presidência tcheca, é importante estabelecer "contatos indiretos" para conhecer as idéias da organização islâmica, mas "não chegou o momento de a UE estabelecer um diálogo direto com o Hamas".

EFE mvs/mh

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