UE retoma diálogo com Cuba, mas sem esquecer direitos humanos

Paris, 16 out (EFE) - A União Européia (UE) e Cuba retomaram hoje o diálogo político - interrompido em 2003 após uma onda repressiva do regime cubano - com uma reunião ministerial da qual participou o ministro de Exteriores da ilha, Felipe Pérez Roque.

EFE |

Depois desta primeira reunião, o comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, que também participou do encontro, disse à Agência Efe que viajará para Cuba na próxima semana em um sinal da recuperação das relações entre as duas partes.

No encontro de Paris também estiveram o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujo país preside a UE, e o chanceler da República Tcheca, Karel Schwarzenberg, nação que assumirá a Presidência do bloco no próximo semestre.

"Esta reunião é a primeira etapa do diálogo político que o Conselho decidiu renovar com Cuba" em junho, quando também foi acordado suspender as sanções contra o regime cubano, indicou o Ministério de Exteriores da França em comunicado emitido após o encontro.

Pérez Roque deve falar sobre sua visita à França em entrevista coletiva prevista para amanhã.

O comissário europeu se mostrou otimista com a recuperação do diálogo político entre UE e Cuba.

"Tenho o sentimento de que eles estão interessados em readquirir os contatos tanto no terreno da cooperação como o diálogo político", afirmou Michel.

Os participantes do encontro falaram "de forma profunda" dos direitos humanos, uma questão "abordada em todas as suas dimensões", segundo a nota do ministério francês.

"A Presidência (da UE) lembrou à delegação cubana as esperanças européias em matéria de direitos civis e políticos", destacou.

Fontes da UE afirmaram que Kouchner entregou ao chanceler cubano uma carta com o nome dos prisioneiros políticos que se encontram na ilha.

Pérez Roque, por sua vez, disse que os direitos humanos têm que ser abordados de forma igualitária e se referiu ao tratamento que os imigrantes recebem em alguns países, afirmaram as fontes.

A cúpula serviu também para acertar a renovação da cooperação européia e dos diferentes países-membros, um assunto que os europeus consideraram prioritário após os efeitos causados na ilha pelos furacões "Gustav" e "Ike".

O ministério francês ressaltou que os participantes do encontro trataram também de outros assuntos "globais", tais como a reforma das Nações Unidas ou a crise financeira internacional.

Foi o primeiro encontro ministerial mantido pelos responsáveis cubanos e da UE desde 2003.

Na época, o bloco decidiu impor a Cuba sanções como resposta a uma onda repressiva que levou 75 dissidentes do regime a ser condenados a penas de até 28 anos de prisão em juízos sumaríssimos.

Em junho, a UE concordou em levantar as sanções impostas e a relançar um diálogo "global e aberto sobre os assuntos de interesse mútuo" para "obter resultados concretos".

Além disso, na terça-feira passada, em Madri, o chanceler cubano pediu a "eliminação definitiva da posição comum da UE em direção a Cuba", que data de 1996, como passo imprescindível para uma normalização e recomposição plena das relações e do diálogo político entre Havana e o bloco europeu.

Antes da reunião no Ministério de Exteriores, o chanceler cubano tinha visitado o Senado francês, onde foi saudado pelo plenário antes de se encontrar com alguns dos parlamentares.

Pérez Roque elogiou brevemente o presidente do Senado, Gérard Larcher, e almoçou com um grupo de senadores liderados pelo presidente do grupo socialista na Câmara, Jean-Pierre Bel.

"Em um momento no qual a UE tenta regularizar as relações com Cuba, nos parece normal que o Senado forneça seu apoio ao processo, principalmente porque há urgência em ajudar um país afetado pelos furacões", assegurou Bel à Agência Efe.

O ministro cubano chegou a Paris após visitar a Espanha com uma agenda de encontros com responsáveis políticos de diferentes partidos franceses, entre eles o líder francês de extrema esquerda Olivier Besancenot.

Além de se reunir com parlamentares do grupo de amizade franco-cubano, Pérez Roque tem programada uma reunião com a viúva do ex-presidente francês François Mitterrand, Danielle Mitterrand, que lidera uma ONG muito atuante na América Latina. EFE lmpg/db

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