Valor equivalente a R$ 484,5 milhões cobrirá 60% das perdas de setor agrícola; surto deixou 26 mortos e contaminou 2,7 mil

Carregamento de pepinos espanhóis produzidos em Torremolinos, no sul da Espanha. Pepinos foram apontados erroneamente como causa de surto
AP
Carregamento de pepinos espanhóis produzidos em Torremolinos, no sul da Espanha. Pepinos foram apontados erroneamente como causa de surto
O comissário de Agricultura da União Europeia, Dacian Ciolos, propôs nesta quarta-feira elevar para 210 milhões de euros (R$ 484,5 milhões) as ajudas adicionais aos produtores agrícolas europeus afetados pela crise da bactéria E. coli iniciada no norte da Alemanha.

Ciolos anunciou em coletiva em Bruxelas que esse montante cobrirá até 60% das perdas sofridas pelo setor por causa da queda do consumo. O surto iniciado há duas semanas deixou 26 mortos e contaminou mais de 2,7 mil na Europa (principalmente na Alemanha). Centenas também desenvolveram complicações renais e neurológicas.

Em uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros de Agricultura dos países-membros da UE realizada na terça-feira em Luxemburgo, a Comissão Europeia propôs uma ajuda adicional de 150 milhões de euros para cobrir até 30% das perdas dos produtores.

Mas perante a pressão de vários países europeus como a Espanha, que consideraram insuficiente a proposta, Ciolos anunciou uma " revisão em alta " para compensar os produtores de maneira justificada pela situação atual.

Nesta quarta-feira, o ministro da Saúde da Alemanha, Daniel Bahr, disse que o número de casos de infecção pela bactéria E.coli está caindo significativamente e pode indicar que o pior do surto já passou.

Em uma entrevista à TV alemã ARD, Bahr se disse “cautelosamente otimista” de que a situação está melhorando, mas advertiu que deve haver mais mortes, já que novos casos continuam aparecendo a cada dia. “Não posso dizer que acabou, mas, após analisar os últimos dados, temos uma razão razoável para esperança”, disse.

Gravidade da E. coli

Cientistas das Universidades de Greifswald e Bonn encontraram indícios que explicam a gravidade da nova cepa da bactéria E. coli . Segundo eles, ela aparentemente provoca a formação de autoanticorpos, causadores dos graves danos internos aos pacientes.

Andreas Greinacher, especialista em transfusões da Universidade de Greifswald, informou nesta quarta-feira que tudo parece indicar que os pacientes afetados pela Síndrome Hemolítica-Urêmica (SHU) - complicação causada pela E. coli -, além de segregar uma toxina, formam autoanticorpos, que atuam destrutivamente contra seu próprio organismo.

Análises provisórias indicam que esses anticorpos provocam um aumento de um fator de coagulação que limita a provisão sanguínea a importantes regiões cerebrais e renais. Os autoanticorpos são gerados apenas por alguns pacientes afetados pela infecção de E.coli.

Greinacher afirmou que quatro pacientes com quadro clínico grave foram tratados na clínica universitária de Greifswald com uma diálise que filtra esses anticorpos, e que os primeiros exames sanguíneos foram "otimistas".

O especialista, que realizou os exames com Bernd Pötzsch, da Universidade de Bonn, disse que ainda não foram determinadas as causas que levaram os pacientes a ser afetados de tal maneira, explicando que foi comprovada uma alteração no funcionamento de uma proteína - o chamado "Fator de von Willebrand" - nos vasos sanguíneos cerebrais e renais.

Em vez de se descompor em pequenos fragmentos, essa proteína acaba se acumulando e bloqueando os capilares, o que leva a quadros clínicos de maior gravidade. Greinacher e Pötzsch afirmaram também que o autoanticorpo é desenvolvido cerca de cinco dias após a doença ser contraída.

"Isso explica por que muitos pacientes que já superaram a fase diarreica apresentam depois graves sintomas neurológicos", disse Greinacher.

*Com AFP, BBC, EFE e AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.