UE propõe a Obama uma relação mais forte para enfrentarem desafios mundiais

Bruxelas, 5 nov (EFE).- A União Européia (UE) propôs hoje ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, uma relação bilateral mais forte para enfrentarem juntos os crescentes desafios mundiais dentro de uma ação multilateral.

EFE |

Os principais líderes europeus afirmam que a eleição de Obama na atual situação internacional coincide com a necessidade de reforçar o vínculo entre EUA e Europa, inclusive se este eixo já não for suficiente para reger o mundo globalizado.

"Este é o momento de um compromisso renovado entre Europa e EUA", afirmou o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, que pediu que o futuro Governo americano e o bloco europeu promovam juntos um "novo multilateralismo que possa beneficiar todo o mundo".

Além das declarações oficiais positivas, o resultado das eleições americanas foi recebido com entusiasmo na Europa, onde a grande maioria da população esperava a vitória do candidato democrata, segundo todas as pesquisas.

Durão Barroso reconheceu que a vitória de Obama gerou "grandes expectativas na Europa" e é um "ponto de inflexão" para os EUA e para o resto do mundo.

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, disse que a relação entre UE e EUA "é fundamental" para solucionar os problemas do mundo, mas reconheceu que esta cooperação já "não será suficiente" ante a magnitude dos problemas.

Por isto, Solana disse que "é necessário incorporar outros atores internacionais", entre os quais citou Brasil, China e Índia, e organizações supranacionais como a União Africana (UA).

Obama "se apresentou nas eleições com uma agenda para a mudança, e mudança é o que precisamos neste momento para regular os muitos problemas que temos hoje", declarou Solana, que se referiu a questões pendentes como a crise financeira e o conflito no Oriente Médio.

Para Solana, a crise financeira mundial "é um exemplo muito bom de como outros (atores) têm que ser incorporados na mesa", declarou em alusão à cúpula do G20 que será realizada em Washington no dia 15 de novembro para definir as bases da reforma do sistema financeiro internacional.

Solana disse que para solucionar os problemas do mundo "é necessário cooperação, é necessário multilateralismo", e disse que "vai se tentar trabalhar nesta direção", algo para o qual a UE está "disposta e pronta".

Durante os oito anos de mandato do atual presidente americano, George W. Bush, a UE sofreu várias tentativas de divisão dos EUA e sua política externa unilateralista, especialmente durante a invasão do Iraque, em 2003.

Apesar disto, Solana disse que as relações entre UE e EUA "são muito boas", mas reconheceu que "é verdade que podem mudar para melhor com uma nova Administração".

Durão Barroso lembrou Obama que a UE "é um ator global" que tem uma das duas principais divisas do mundo - o euro - e que é um "parceiro crível" em questões de política internacional e segurança.

O presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, afirmou que a vitória do candidato democrata oferece a "oportunidade" de reforçar as relações entre UE e EUA, e convidou Obama a discursar no plenário da Eurocâmara nos próximos meses.

Na mesma linha, a Presidência francesa rotativa da UE considerou que o êxito eleitoral de Obama significa a "promessa de uma aliança transatlântica reforçada a serviço dos valores universais".

Os líderes dos principais países europeus também reiteraram que pretendem intensificar a cooperação entre as duas margens do Atlântico, já que, como disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, "ninguém pode resolver por si mesmo os problemas de todo o mundo".

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou que seu país e a Europa terão uma "nova energia para trabalhar com os EUA para preservar a paz e a prosperidade do mundo". EFE rcf/wr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG