UE propõe 150 milhões de euros para produtores prejudicados por E. coli

Proposta será feita por comissário de Agricultura europeu durante encontro de ministros em Luxemburgo

iG São Paulo |

AP
Fazendeiro produtor de pepinos em Algarrobo, perto de Málaga, na Espanha. Produtores tiveram prejuízo por suspeita de bactéria E. coli
A Comissão Europeia propôs um pacote de 150 milhões (R$ 348,5 milhões) para ajudar produtores agrícolas cujos produtos foram atingidos pelo atual surto da E. coli. Produtores de vegetais viram suas vendas caírem com o surto, que deixou 22 mortos e infectou mais de 2,4 mil pessoas.

Ministros da Agricultura da União Europeia (UE) mantêm nesta terça-feira em Luxemburgo uma reunião de crise sobre o assunto .

O comissário de Agricultura europeu, Dacian Ciolos, disse antes do encontro em Luxemburgo: "Proporei 150 milhões de euros hoje. Espero que as autoridades sejam capazes de dar uma resposta sobre a fonte da infecção o quanto antes. Sem essa resposta, será difícil reconquistar a confiança dos consumidores, que é essencial para o mercado recuperar sua força."

A indenização cobrirá o perído do final de maio ao final de junho, disse, mas a quantia paga poderia mudar assim que os prejuízos de cada país ficarem conhecidos.

Segundo o comissário de saúde do bloco europeu, John Dalli, o surto é limitado ao norte da Alemanha e não necessita de controles amplos de toda UE. Dalli também advertiu contra divulgar informações não confirmadas sobre o surto, dizendo que isso disseminava o medo e afetava de forma adversa a produção agrícola.

As declarações foram feitas durante uma sessão do Parlamento europeu, em Estrasburgo, na França, antes da reunião de emergência.

As autoridades alemãs inicialmente responsabilizaram pepinos importados da Espanha como foco da infecção, mas depois afirmaram que testes haviam descartado a possibilidade.

No último fim de semana, uma fazenda orgânica produtora de brotos vegetais para saladas perto de Hamburgo foi identificada como possível origem do foco, mas testes preliminares não comprovaram até agora a presença da bactéria no local.

'Foco limitado'

"Enfatizo que o foco está limitado geograficamente à área no entorno da cidade de Hamburgo, então não há razão para uma ação no nível europeu. Medidas (tomadas pela UE como um todo) contra qualquer produto são desproporcionais", disse Dalli. Mas ele admitiu que a proibição ao comércio de alguns produtos é um problema para toda a União Europeia.

A Rússia, principal comprador de legumes e verduras produzidos pelos países do bloco, anunciou na semana passada a suspensão de todas as importações. "Estamos em contato constante com outros países, incluindo a Rússia. Estamos pedindo à Rússia que suspenda a proibição, que é desproporcional", afirmou Dalli.

Ao comentar o andamento da crise, ele disse que apontar inicialmente os pepinos espanhois como fonte da contaminação foi um erro. "É crucial que as autoridades nacionais não corram para dar informações sobre a fonte da infecção quando elas não estiverem justificadas pela ciência", afirmou. "Isso cria medo e problemas para nossos produtores de alimentos. Precisamos ter cautela para não tirar conclusões precipitadas", disse.

'Honra do pepino'

Após o discurso do comissário da Saúde, o deputado espanhol Francisco Sosa-Wagner discursou no Parlamento segurando um pepino e afirmou: "Precisamos restaurar a honra do pepino", disse. A Espanha diz que exigirá da Alemanha uma compensação por 100% das perdas verificadas pelos seus produtores após a acusação falsa contra os pepinos exportados pelo país. A associação espanhola de exportadores de frutas e hortaliças estima as perdas em 225 milhões de euros (cerca de R$ 520 milhões) por semana.

*Com BBC

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