José Manuel Sanz. Praga, 8 jan (EFE).- A União Européia (UE) usou hoje todo o seu peso como bloco para pressionar Rússia e Ucrânia para que ponham fim ao corte no fornecimento de gás, que já afeta, em pleno inverno, dois terços dos países europeus.

Ministros e vice-ministros de Assuntos europeus, reunidos em Praga para um encontro informal que terminou se transformando em um exercício de gestão de crise, aprovaram uma declaração na qual pedem que Moscou e Kiev "cumpram suas obrigações" sem demora.

O gesto não teve ainda efeito sobre a disputa, mas desde ontem Rússia e Ucrânia indicam que podem aceitar a proposta européia de uma supervisão internacional do fluxo de combustível russo que transita pelos gasodutos ucranianos.

Em Bruxelas, delegações das empresas envolvidas na crise - a russa Gazprom e a ucraniana Naftogas - foram incapazes de acertar com a UE o envio desses "observadores independentes".

"O diabo se esconde nos detalhes", admitia em Praga o vice-ministro de Assuntos Europeus tcheco, Aleksandr Vondra, antes de se confirmar que os contatos técnicos em Bruxelas não estavam dando resultado.

Para a próxima segunda-feira, foi convocada uma reunião extraordinária dos ministros de Energia da UE, na qual será analisada "a situação no mercado, incluindo a questão dos observadores, e a adoção de medidas".

O secretário de Estado espanhol para assuntos europeus, Diego López Garrido, avaliou o fato de que a UE tenha assumido como "seu problema" o corte no fornecimento de gás russo, como vem defendendo a Espanha desde o princípio.

"Este é um assunto da Europa, que afeta estrategicamente o bloco", assegurou.

Em sua declaração conjunta, os 27 Estados-membros da UE consideram "inaceitável para o bloco ver seus cidadãos e empresas sofrer as conseqüências de cortes de gás devido ao descumprimento pelos dois países de suas obrigações contratuais".

Em alusão à Rússia e à Ucrânia, o comunicado do bloco acrescenta que "ambas as partes mostraram até o momento pouca determinação no momento de resolver o problema".

Após a mensagem de Praga, a Ucrânia aceitou o envio de observadores "europeus", mas sem a presença russa, o que não foi aceito por Moscou.

Os europeus tentam agora separar dois problemas: o litígio bilateral entre Rússia e Ucrânia pelo pagamento do gás que Moscou vende a Kiev, e o trânsito por território ucraniano do gás que a Rússia vende à Europa.

Moscou cortou totalmente o fornecimento à UE com o argumento de a que Ucrânia o desvia em benefício próprio para compensar os cortes que a Rússia lhe impõe a fim de se ressarcir da dívida contraída e de obrigá-la a aceitar preços mais altos.

Vondra insistiu em que a UE não quer entrar como árbitro no litígio comercial bilateral e não participará de "nenhuma chantagem", como seria neste momento não pagar à Rússia pelo gás que não está recebendo.

A proposta de enviar "observadores imparciais" tem como objetivo comprovar qual é o fluxo real de gás russo que entra na Ucrânia e deixa depois o país através de oito pontos de conexão.

Trata-se de saber se é verdade, como alega Moscou, que a Ucrânia está desviando gás que é destinado ao resto da Europa. Ou se é a Rússia que não bombeia esse combustível, como sustenta Kiev.

A crise atual é uma reedição da vivida há três anos, mas com maior gravidade, devido à difícil situação econômica e ao forte inverno em todo o continente. EFE jms/mh

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