UE pressiona palestinos a formarem Governo de unidade

Bruxelas, 15 mar (EFE).- A União Europeia (UE) disse hoje a representantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP) que consigam formar um Governo de unidade com o Hamas, antes da 2ª Cúpula entre a América do Sul e os Países Árabes, em 31 de março em Doha, no Catar.

EFE |

"Estamos encantados em escutar que o processo de reconciliação segue adiante", assegurou o ministro de Relações Exteriores da Presidência rotativa tcheca, Karel Schwarzenberg, após presidir uma reunião com seus colegas palestino, Riad Maliki, e egípcio, Ahmed Aboul Gheit (em nome do Governo que media as facções palestinas).

Maliki afirmou que espera "resultados palpáveis" das negociações do Cairo antes da cúpula de Doha, e reiterou a "determinação" da ANP para o acordo com Hamas, "apesar das muitas dificuldades da negociação".

Desde o último dia 10, dirigentes de 14 facções palestinas dialogam para criar um Governo de união nacional, convocar novas eleições, conseguir a reconciliação nacional e reestruturar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e as forças de segurança.

Os europeus disseram a ambos os ministros árabes que só quando houver a reconciliação com Hamas é que Israel deve responder abrindo as fronteiras e que só assim se poderá reconstruir Gaza.

"Caso contrário, não podemos transportar nem cimento", recalcou a comissária europeia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner.

No dia 2 de março, mais de 70 países reunidos na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh se comprometeram a financiar a reconstrução de Gaza com US$ 4,481 bilhões, mas sem que o dinheiro vá a para o Hamas, que controla a faixa desde junho de 2007, quando o tomou pelas armas, e é considerado terrorista por UE e Estados Unidos.

O chefe da diplomacia europeia, o espanhol Javier Solana, disse que Israel deve abrir as entradas a Gaza e permitir a chegada de muitos mais artigos, em sua maioria vetados devido ao uso que podem ter pelo Governo do Hamas.

Como parte fundamental dos esforços de paz para a zona, Solana acrescentou que a UE segue apoiando a solução de dois Estados.

"O objetivo é a criação de um Estado palestino livre democrático que respeite a segurança de Israel", manteve.

Por isso, uniu-se às preocupações sobre a possível formação de um Governo em Israel que rejeite a existência de um Estado palestino, e advertiu que, em tal caso, as relações bilaterais com Tel Aviv mudarão substancialmente.

"A maneira na qual a UE trataria um Governo que não estivesse comprometido com a solução dos dois Estados seria muito, muito diferente, e eles sabem", afirmou.

O palestino Riad Maliki alertou que os partidos "de extrema-direita", com os quais negocia o primeiro-ministro israelense nomeado, Benjamin Netanyahu, para formar uma coalizão de Governo, "têm como denominador comum o princípio de estar totalmente contra um Estado independente palestino".

"Um Governo assim é contra a paz, e nós, como Autoridade Nacional Palestina, não poderíamos negociar com um Governo que continuasse com agressões, assassinatos e destruição", disse Maliki, omitindo, porém, os ataques que o Hamas fez a Israel antes da ofensiva militar israelense, em dezembro.

Segundo sua opinião, esta possibilidade não deve ser uma preocupação só dos palestinos, "mas da comunidade internacional que acredita na paz".

Por sua vez, em meio a discursos de paz, o ministro egípcio informou à delegação da UE de sua visita ao Sudão para apoiar o presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir, para quem o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordem de prisão, por crimes de guerra e lesa-humanidade, em massacres que mataram 300 mil. EFE met/jp

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