UE pede reformas eleitorais no Paquistão para evitar irregularidades

Islamabad, 16 abr (EFE).- O chefe da missão de observadores eleitorais da União Européia (UE) no Paquistão, o alemão Michael Gahler, pediu hoje às autoridades paquistanesas uma reforma eleitoral que corrija problemas detectados no pleito de fevereiro, como a falta de independência da Comissão Eleitoral.

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"Caso não sejam corrigidas as condições para as eleições, pode haver um sério risco de problemas eleitorais no futuro", declarou Gahler em entrevista coletiva em Islamabad, na qual apresentou as conclusões finais de sua missão de observação.

Segundo Gahler, "apesar de o pleito de fevereiro ter sido concorrido e os resultados aceitos", o Paquistão deve consolidar entidades independentes, em referência ao sistema judiciário e à Comissão Eleitoral (ECP, sigla em inglês).

"Os processos eleitorais nos tribunais devem ser resolvidas a tempo e por juízes escolhidos de forma independente", exigiu Gahler, que acrescentou que "a legislação eleitoral terá que ser revisada", principalmente no que diz respeito à nomeação do chefe da ECP, cargo que deveria "ser submetido à consulta".

Além disso, pediu que os resultados eleitorais sejam expostos em ata pública após sua apuração em cada circunscrição e colocados na Internet.

Gahler também observou que, "se para exercer o direito a voto é imprescindível o documento nacional de identidade, o Paquistão deve facilitar a aquisição do mesmo a todos os cidadãos antes das eleições".

Denunciou que, durante o pleito, o direito das mulheres a votar foi violado em alguns locais no país, e defendeu "o aumento da representação feminina no processo eleitoral".

O chefe da missão da UE também disse que "os meios de comunicação estatais devem corrigir a parcialidade com a qual realizaram a cobertura durante a campanha eleitoral".

O relatório apresentado por Gahler foi elaborado a partir das observações de quase 130 membros da missão, que supervisionaram 65% das circunscrições.

A equipe da UE chegou ao Paquistão em dezembro de 2007 para observar o processo eleitoral que inicialmente estava previsto para 8 de janeiro de 2008, mas que finalmente aconteceu em 18 de fevereiro como conseqüência da suspensão da campanha devido ao assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

O partido de Bhuto venceu estas eleições e hoje lidera o Governo.

EFE igb/ev/fal

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