UE pede diálogo político entre presidente da Geórgia e oposição

Misha Vignanski Tbilisi, 19 abr (EFE).- O representante especial da União Europeia (UE) para o Cáucaso Sul, Peter Semneby, pediu hoje um urgente diálogo político entre o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e a oposição que reivindica sua renúncia nas ruas de Tbilisi.

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"Existe a possibilidade de deter esta queda-de-braço política mediante a discussão conjunta dos problemas vitais da Geórgia, relativos ao governo do país", disse Semneby em entrevista à Efe depois de se reunir com Saakashvili e com seus opositores.

Uma aliança de 17 partidos opositores iniciou no dia 9 de abril uma campanha pacífica de desobediência civil para forçar a saída de Saakashvili, acusado de autoritarismo, de ser reeleito com fraude e responsabilizado da derrota na guerra contra a Rússia de agosto do ano passado.

Milhares de manifestantes empreenderam o bloqueio da residência presidencial e da Televisão Pública, apesar deste fim de semana terem moderado seu protesto até a próxima terça-feira, por ocasião da Páscoa ortodoxa.

Enquanto isso, as autoridades e parte dos cidadãos temem a repetição dos confrontos entre Polícia e manifestantes de novembro de 2007, como os que também acabam de acontecer em outra antiga república soviética, a Moldávia, esta vez por protestos contra a vitória eleitoral dos comunistas.

"As partes devem atenuar suas posturas", criticou Semneby a intolerância de ambos os grupos: "A liberdade de manifestação é um direito importante, mas as soluções é preciso buscá-las na mesa de negociações".

Explicou que a oposição se nega a renunciar a sua reivindicação de renúncia (do presidente), mas nada a impede de abrir um diálogo com o Governo sobre os assuntos constitucionais e outros mantendo esta exigência.

"Se as negociações prosperam e as partes acertam reformas políticas e constitucionais e mudanças da legislação eleitoral, a exigência da renúncia do presidente terá outro aspecto e matiz", assinalou.

O diplomata sueco, de 49 anos, também não poupou críticas às autoridades georgianas ao ressaltar que "o Governo deve escutar a voz da oposição e dos manifestantes".

Segundo Semneby, "o mais fácil é esperar que os protestos terminem por si mesmas. Se os dirigentes se sentem tentados por essa postura, é perigoso, porque o povo pode se cansar e ir embora, mas os principais problemas continuarão sem resolver".

"Para evitar que essa queda-de-braço se repita no futuro, é preciso iniciar um diálogo político", insistiu o enviado europeu, que deu a entender que Bruxelas não pode tirar as "castanhas do fogo" e são as partes as que devem resolver o conflito.

Neste sentido, ressaltou que os problemas existentes pecisam de uma solução interna, baseada no consenso entre os atores políticos georgianos, enquanto a UE explica como vê a situação criada, porque lhe importa o que acontece na Geórgia, e seu futuro.

"A Geórgia é um parceiro importante da UE", ressaltou o diplomata ao lembrar que no dia 7 de maio os 27 países do bloco iniciarão em Praga seu novo programa de cooperação com seis países do leste: Geórgia, Azerbaijão, Armênia, Ucrânia, Moldávia e Belarus.

Nesse dia, a UE lançará formalmente a chamada Associação do Leste, programa que implicará ajudas econômicas no valor de 600 milhões de euros até 2013 e progressivas facilidades para outorgar vistos aos cidadãos dos seis países.

Semneby respondeu com precaução a uma pergunta sobre a possível "pista russa" nos fatos na Geórgia, pois as autoridades acusam a oposição de fazer o jogo de Moscou, que também se nega a dialogar com Tbilisi até que se vá Saakashvili.

"O fator russo existe, mas não quero exagerar sua importância. O fato de que as tropas russas estejam tão perto de Tbilisi influi em certo modo, preocupa as pessoas e cria nervosismo", disse sobre os milhares de soldados destacados por Moscou nas separatistas Ossétia do Sul e Abkházia após sua invasão pelo Exército russo.

"A Rússia, na minha opinião, não tem um papel de peso, e acho que é bom que seja assim. O que há aqui é uma queda-de-braço político interno", que deve ser resolvido dentro do modelo da "democracia moderna de tipo europeu" desenvolvido pela Geórgia, enfatizou.

Enquanto isso, a oposição não deu importância ao apelo de Semneby ao declarar que aplaude "a participação da UE e da comunidade mundial na regra da crise política georgiana", mas que o único tema possível do diálogo com o poder é a saída do presidente e a convocação de pleito antecipados.

Saakashvili foi reeleito em janeiro de 2008 em eleições adiantadas cuja transparência a oposição questionou e que foram convocados por ele mesmo, após declarar o estado de exceção em novembro de 2007 devido aos protestos opositores, que então foram reprimidas violentamente pelas forças da ordem. EFE mv-se/ma

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