Bruxelas, 14 ago (EFE).- A Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia) afirmou hoje que os países do bloco devem investigar de forma imparcial e transparente as alegações que indicam que a CIA (agência de inteligência americana) construiu prisões secretas na Europa dentro da luta dos Estados Unidos contra o terrorismo.

Nesta quinta-feira o jornal "International Herald Tribune" publicou declarações de um antigo chefe de provisões na Europa da CIA, Kyle Foggo, que afirmou que construiu em 2003 prisões secretas em vários países, entre eles a Romênia.

"A Comissão Europeia ressaltou repetidamente a necessidade de que os Estados-membros investiguem profundamente, de forma imparcial e independente para estabelecer a verdade, seja qual for a verdade, em relação a alegações como estas", afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do bloco Dennis Abbott, questionado pela reportagem.

"Estamos a par das alegações, mas são alegações", acrescentou.

A Comissão acredita que as investigações deveriam ser realizadas "em sua totalidade e o mais rápido possível" nos países do bloco envolvidos, principalmente para estabelecer responsabilidades e para que as supostas vítimas possam ser compensadas pelos danos, afirmou Abbott.

Ele lembrou que as atividades antiterroristas devem ser conduzidas com total respeito aos direitos fundamentais e o princípio do estado de direito, e com transparência.

"Quanto mais firmemente se garanta o respeito aos direitos fundamentais, teremos mais possibilidades que nossos esforços na luta contra o terrorismo sejam eficazes", afirmou o porta-voz.

Segundo Foggo, outra das prisões secretas foi construída em um lugar remoto do Marrocos, mas aparentemente não chegou a ser usada, e outra poderia ter sido levantada em um país não determinado do Leste Europeu.

Esses centros eram empregados para internar e interrogar fora do olhar das autoridades judiciais detidos dentro da guerra que os EUA travaram contra o terrorismo após os atentados de 11 de setembro de 2001. EFE rja/db

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