UE oferece à Ucrânia acordo de associação, mas sem fechar porta para adesão

A União Européia (UE) ofereceu à Ucrânia, nesta terça-feira, a assinatura de um acordo de associação em 2009, reconheceu os valores comuns e deixou a porta aberta para um futuro desenvolvimento adicional das relações, que não exclui a adesão dessa antiga república soviética ao bloco europeu.

EFE |

É o que diz a declaração conjunta da cúpula realizada em Paris entre o francês Nicolas Sarkozy, que ocupa a Presidência rotativa da UE, o chefe de Estado ucraniano, Victor Yushchenko, o chefe da diplomacia do bloco europeu, Javier Solana, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

Em coletiva de imprensa, Sarkozy disse que o acordo "não fecha nenhuma porta" para uma eventual adesão. Já Yushchenko reiterou que os Estados que entraram no bloco comunitário desde os anos 80 começaram por assinar tratados como estes e, por isso, qualificou a cúpula como um sucesso.

Para o chefe de Estado ucraniano, a situação é "histórica", já que, segundo ele, abre um caminho que "pode levar à vitória".

Os 27 países-membros do bloco reconhecem no texto aprovado que a "Ucrânia, como país europeu, compartilha de uma história comum e valores comuns com os países da UE" e "dão as boas-vindas" às aspirações européias dessa nação.

Apesar desta declaração comum, na UE há profundas diferenças sobre a postura que deve ser adotada com relação aos países que fazem fronteira com a Rússia.

Assim, alguns desejariam sua rápida adesão para evitar situações como a vivida pela Geórgia, como Reino Unido e Suécia, enquanto outros acham prematuro ampliar mais uma vez o bloco, como Espanha, Alemanha e Benelux, que foi uma das principais organizações econômicas da Europa.

Sarkozy afirmou que chegou "tão longe" quanto pôde. Sobre a vocação de reforçar seus laços com o Leste, assegurou que a UE "sabe que há problemas de fronteiras e estabilidade" e, por isso, quer "fornecer segurança" com uma estratégia que, segundo ele, "não é contra ninguém".

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, definiu tal estratégia como tomada "de cabeça fria" e afirmou que "ninguém quer uma Europa dividida em blocos".

O acordo de associação incluirá, entre outros aspectos, a futura supressão de vistos para os ucranianos que viajem à UE, o reforço de acordos energéticos, a cooperação comercial e de segurança e a luta contra a corrupção.

Sobre os prazos para a conclusão das negociações, Yushchenko disse que a assinatura deve acontecer na segunda metade de 2009.

A cúpula aconteceu em Paris, embora estivesse programada para a cidade de Evian, também na França, já que ontem a viagem da delegação européia à Rússia para conseguir o compromisso de retirada das tropas deste país na Geórgia, exceto nas regiões separatistas Ossétia do Sul e Abkházia, demorou mais que o previsto.

Independente da União Soviética desde 1991, a Ucrânia, assim como a Geórgia, deseja ser membro da UE e da Organização do Tratado do Atêntico Norte (Otan), o que conta com a desaprovação por parte de Moscou.

A Revolução Laranja de 2004 levou ao poder os pró-ocidentais do presidente Victor Yushchenko, com apoio do bloco da primeira-ministra, Yulia Timoschenko.

Mas agora a coalizão ficou abalada, devido ao giro para posições mais próximas ao Kremlin da primeira-ministra, que se negou a condenar a invasão da Geórgia no mês de agosto e que não participou da reunião de hoje.

A península ucraniana da Criméia, habitada por maioria russa, é reivindicada por cada vez mais amplos setores em Moscou.

Além disso, a Criméia abriga a frota russa do Mar Negro, que Kiev pretende despejar quando expirar, em 2017, o convênio bilateral assinado por ambos os países.

Estas circunstâncias geram temor em muitos analistas e políticos ucranianos, embora o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, tenha rejeitado a idéia de uma repetição na Criméia do ocorrido na Abkházia e na Ossétia do Sul.

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