UE nega que esteja criminalizando imigrantes latino-americanos

MONTEVIDÉU - Representantes da Comissão Européia (CE) negaram, nesta sexta-feira, a acusação de que a União Européia (UE) esteja criminalizando os imigrantes latino-americanos com a lei de retorno e ressaltaram que a intenção é regular melhor os fluxos migratórios.

EFE |

O diretor para a América Latina na Direção de Relações Exteriores da CE, Stefano Sannino, e Ronald Hall, diretor de desenvolvimento da Política Regional desse organismo da UE, expressaram essa visão em um café-da-manhã de trabalho em Montevidéu com a imprensa nacional e estrangeira.

A delegação se reuniu esta semana com autoridades do país para, entre outros assuntos, explicar o alcance real da lei para imigrantes ilegais na União Européia, que recebeu diversas críticas da América Latina.

"Não há uma criminalização dos imigrantes" pela UE, que, na realidade, só "quer regular melhor os fluxos migratórios" e garantir aos que chegam à Europa "direitos similares aos dos cidadãos europeus", disse Sannino.

A diretriz sobre retorno de ilegais "tenta dar uma resposta" e abre as portas à "possibilidade de acordos específicos mais favoráveis", afirmou.

Sannino ressaltou que a imigração latino-americana na Europa é a que menos deve temer conseqüências negativas desta nova política de migração.

"Estou convencido de que as comunidades latino-americanas na Europa estão muito bem integradas e não têm problemas", pois existe "uma tradição muito antiga" migratória, explicou.

Sannino pediu também que na América Latina se aborde a diretriz, aprovada em junho passado pelo Parlamento Europeu, "de uma maneira mais fria" e com "um enfoque mais racional", pois "há exigências que podem ser conciliadas".

Ele afirmou que "há vontade política e disponibilidade" para esse diálogo, pois os latino-americanos "são bem-vindos" e "integrados na Europa".

Um dos pontos da lei de retorno que recebeu mais críticas na América Latina foi o que permite a retenção de imigrantes ilegais até um período máximo de 18 meses e sua expulsão durante cinco anos do continente europeu.

Dirigentes da região leram este ponto como uma violação dos direitos humanos, acusação que Sannino também rejeitou categoricamente.

O representante europeu insistiu em que a política de migração da UE defende antes de tudo a proteção desses direitos humanos e faz parte de um marco jurídico sustentado "nos princípios de prosperidade, solidariedade e segurança" para os imigrantes e para os países que os acolhem.

"Criticar toda a política migratória da UE é possível", mas na Europa "há problemas grandes de integração", daí a necessidade de cooperar e "tramitar esses fluxos migratórios", acrescentou.

Hall, por sua vez, lembrou os muitos planos de cooperação que existem entre a UE e América latina, "com 20 anos de desenvolvimento em programas sobre cruzamento de fronteiras" e aproveitando "muita experiência acumulada" na Europa.

Ele ressaltou que uma das razões desta visita é estudar "a maneira de integrar essas experiências com o Mercosul".

O chefe da Delegação da Comissão Européia no Uruguai, William Hanna, também falou à imprensa e lembrou que os grandes investimentos da UE na região ajudarão a dissipar as dúvidas sobre o alcance real da política migratória da UE.

"Há um pouco de nevoeiro neste momento, mas este nevoeiro vai desaparecer", disse o embaixador.

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