Bruxelas, 1 mar (EFE).- A União Europeia (UE) rejeitou hoje lançar um plano de resgate para os países da Europa central e do leste, mas prometeu medidas de apoio pontual aos países que precisarem e em colaboração com as instituições internacionais.

A reunião informal dos chefes de Estado e Governo da UE para discutir a crise econômica destacou "a importância da estabilidade macrofinanceira em todo o bloco", mas negou que a Europa central e do leste seja uma região que precisa de planos especiais, apesar de sua delicada situação financeira.

"Reconhecendo que existem claras diferenças entre os Estados-membros da Europa central e do leste", os líderes da UE se declaram dispostos a "revisar a assistência já facilitada" e a estudar "medidas que ajudem os países a enfrentar os desequilíbrios temporários", segundo o comunicado conjunto divulgado após o encontro.

O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, afirmou que não se permitirá que a crise crie dois níveis de países comunitários, ao ressaltar que "a União Europeia não é duas uniões nem três, mas apenas uma".

A cúpula confirmou que a ajuda aos bancos matrizes em países do oeste da UE "não deve supor nenhum tipo de restrições para as atividades das filiais" em outros estados da Europa central e do leste.

Atualmente, Hungria e Letônia já recebem ajuda da UE, dentro de pacotes financeiros iniciados em colaboração com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), para contribuir para o equilibrio de seu balanço de pagamentos.

A porta-bandeira da rejeição a um plano de resgate para as economias do conjunto da região central e oriental foi a chanceler alemã, Angela Merkel, que deixou claro que as medidas devem ser estudas caso por caso e em função de onde surgirem as necessidades.

Merkel lembrou que "a situação é muito diferente de país para país", e citou como exemplo que alguns como Bulgária e Eslováquia desfrutam ainda de números econômicos positivas, e por isso "é preciso ter muito cuidado para não criar problemas que não existem".

A chefe do Governo alemão também foi responsável por outra ducha de água fria nas aspirações de alguns países da Europa central e do leste que pediam a flexibilização dos critérios para a entrada no euro, a fim de que alguns possam acelerar a adoção da moeda única como refúgio contra a tempestade econômica e financeira.

"Acho que os critérios têm de ser respeitados", afirmou a chefe do Governo alemão, para quem esses critérios "foram bem pensados" antes de ser adotados.

Antes da reunião, o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsány, tinha reivindicado um plano de ajuda para os países do centro e leste da Europa, com um valor entre 160 bilhões e 190 bilhões de euros, que lhes permitisse superar a grave crise financeira.

A Polônia, o maior país do centro e leste da UE, também rejeitou um plano geral para a região.

"É preciso conhecer as particularidades e solucionar problemas específicos, mas não é necessário um plano para apoiar a Europa do leste", disse o ministro de Assuntos Europeus polonês, Mikolaj Dowgielewicz.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, ressaltou que a solidariedade da UE com os países mais afetados pela crise "já é uma realidade", e citou como prova os casos de Hungria e Letônia.

Na sexta-feira passada, três instituições financeiras internacionais - o Banco Europeu de Investimentos (BEI), o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd) e o BM - anunciaram uma ajuda a essa região, especialmente para o setor bancário, 24,5 bilhões de euros para os próximos dois anos.

A cúpula insistiu hoje nesse caminho, ao assinalar a importância do BEI para facilitar financiamento a essa região. EFE rcf/mh

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