UE mostra unidade em cúpula e firma acordos delicados

Rafael Cañas. Bruxelas, 12 dez (EFE).- A cúpula da União Européia (UE) mostrou hoje a unidade dos países-membros do bloco em três acordos considerados fundamentais para seu futuro: o plano de reativação econômica, um ambicioso conjunto de medidas contra a mudança climática e a ratificação irlandesa do Tratado de Lisboa.

EFE |

Nicolas Sarkozy, chefe de Estado francês e que ocupa a Presidência rotativa da UE, foi considerado o principal responsável pelo sucesso da cúpula ao conseguir fechar os três complicados assuntos por unanimidade sem precisar recorrer a negociações dramáticas.

Os chefes de Estado e de Governo tomaram "grandes decisões" de alcance "histórico", afirmou Sarkozy na coletiva de imprensa que fechou a cúpula, na qual destacou a unanimidade que a Europa alcança quando demonstra que tem "ambição".

Na cúpula foi aprovado o plano comum para tirar a Europa da crise econômica, que prevê a injeção de 200 bilhões de euros, o equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países da UE.

O plano prevê que a maior parte desse dinheiro (170 bilhões de euros), provirá dos Estados-membros, enquanto os 30 bilhões de euros restantes devem sair dos cofres comunitários e do Banco Europeu de Investimentos.

O acordo foi possível depois que a Alemanha, país mais reticente e maior economia da UE, conseguiu com que cada país possa escolher as medidas que considerar adequadas em função de sua situação específica para incentivar a atividade.

A chanceler alemã, Angela Merkel, ressaltou que seu país "fará o que puder" para tirar a Europa da crise, e considerou que o plano "terá um impacto maior na criação de postos de trabalho e no crescimento".

Sarkozy destacou que houve um "acordo absoluto" entre os países sobre a gravidade da crise econômica e afirmou que a UE tomará "as medidas necessárias" contra a recessão.

O acordo para lutar contra a mudança climática detalha as ferramentas que a UE usará para cumprir seus compromissos de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) da UE em 20%, melhorar a eficiência energética em 20% e garantir que 20% da energia consumida proceda de fontes renováveis, tudo isso para 2020.

A UE também mantém seu compromisso de que 10% dos combustíveis utilizados no transporte sejam renováveis até 2020.

O texto final recebeu críticas por parte das principais organizações ambientalistas por no final ter permitido mais flexibilidade às indústrias mais poluentes, a fim de reduzir o risco de que transfiram suas fábricas para países com normas ambientais mais meleáveis.

Sarkozy defendeu com firmeza o acordo alcançado, ao assegurar que a UE "manteve seus compromissos" e ressaltou que "não há um continente no mundo que tenha adotado regras tão estritas".

Por isso, pediu que os demais países, especialmente os EUA, se unam a esse compromisso.

O presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, afirmou que se trata do plano "mais avançado" no mundo todo contra a mudança climática.

Porém, advertiu que nos próximos dias haverá "negociações duras" para conseguir fazer com que o Parlamento Europeu aprove as medidas no plenário na semana que vem.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, manifestou sua "satisfação" com a proteção à indústria manufatureira européia.

Já Merkel negou que tenha ocorrido um rebaixamento nas ambições iniciais e considerou o acordo "um sucesso".

Embora tenha admitido que inicialmente pode haver "alguma reestruturação" ao passar para uma economia mais baseada nas energias limpas, a chanceler alemã se mostrou "segura" de que finalmente terá um impacto positivo na criação de empregos.

Os chefes de Estado e de Governo também aprovaram um plano para que a Irlanda realize outro plebiscito sobre a ratificação do Tratado de Lisboa antes de novembro de 2009.

Caso o resultado seja positivo, a UE garantirá que a CE continuará tendo um membro por cada país do bloco, o que supõe abandonar o plano para reduzir o tamanho de seu órgão executivo.

Sarkozy defendeu esta decisão ao afirmar que seria "um grave erro" privar a CE de um representante nacional.

Se o tratado finalmente entrar em vigor, a UE terá um presidente estável do Conselho Europeu, que será sua "cara visível" acima das presidências rotativas atuais.

O presidente francês considerou essa questão muito positiva porque, segundo ele, a Europa "deve ter um rosto" que a represente perante seus cidadãos e o mundo. EFE rcf/ab/rr

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