UE mantém objetivo de levar reforma do setor financeiro ao G20

Bruxelas, 16 mar (EFE).- A União Europeia (UE) mantém o objetivo de levar a reforma do sistema financeiro mundial à cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) para tentar resolver a crise econômica, enquanto os Estados Unidos insistem em defender medidas de estímulo fiscal.

EFE |

Os ministros de Assuntos Exteriores da UE discutiram hoje as possíveis conclusões da cúpula de chefes de Estado e Governo do bloco, que ocorrerá nos próximos dias 19 e 20.

A reunião preparará a posição dos membros europeus do G20 para a cúpula do grupo, que acontece em Londres no dia 2 de abril.

A UE e os EUA entraram em atrito nos últimos dias sobre o que cada lado deve priorizar na reunião do G20. Enquanto Washington insiste em novas medidas de estímulo fiscal, os europeus apostam em uma ampla reforma da regulação e da supervisão financeira com o objetivo de restaurar a confiança no sistema.

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, admitiu hoje a possibilidade de a União Europeia adotar novas medidas fiscais contra a crise econômica e defendeu chegar com "espírito aberto" à cúpula do dia 2.

"A Europa já fez um esforço importante, mas o consenso é fazer outro esforço... o importante é sair da crise", respondeu Moratinos quando perguntado sobre as divergências entre EUA e UE em relação aos próximos passos contra a crise.

Em entrevista coletiva concedida após a reunião de hoje, o vice-primeiro-ministro tcheco, Aleksandr Vondra, afirmou que "a Europa tem que falar com uma só voz, e acho que isso será demonstrado nesta semana".

A parte econômica das conclusões da cúpula quase não gerou discussões entre os ministros e recebeu "apoio unânime", acrescentou Vondra.

O texto resultante da reunião diz que "a União Europeia deve assumir um papel de liderança em nível mundial em promover a reforma dos mercados financeiros".

O documento destaca ainda que a crise exige "respostas mundiais", motivo pelo qual "uma ação coordenada e pontual é necessária", e insiste que a cúpula de Londres "tem um papel crucial em dar nova forma" ao sistema financeiro mundial.

O texto sobre a posição europeia na cúpula do G20 fala também sobre uma regulação ou supervisão "adequada de todos os mercados, produtos ou atores financeiros que possam supor um risco sistêmico, sem exceção e sem importar o país de origem".

Além disso, propõe melhorar o "rápido estabelecimento" de colégios de supervisores em todas as instituições financeiras internacionais importantes antes do final do ano e conseguir progressos na normatização sobre o capital dos bancos.

O documento também pede que as agências de qualificação de crédito tenham "regulação e supervisão adequada" em nível internacional, além de defender a luta contra a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro.

Outro pedido feito após a reunião da UE é pela proteção do sistema financeiro contra atividades originadas em "jurisdições não transparentes, não cooperativas e pouco reguladas", com a sugestão de se elaborar uma lista desses territórios e uma lista de possíveis sanções.

A União Européia também vai propor ao G20 dobrar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que os países em dificuldades econômicas possam receber ajuda.

Segundo fontes do bloco, o ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband, pediu que o aumento nos fundos do FMI seja "o mínimo". EFE rcf/bba/db

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