UE inicia semana de consultas cruciais para evitar crise

Os dirigentes da União Européia (UE) iniciam na segunda-feira uma semana de consultas que culminarão com uma reunião de cúpula transformada em reunião de crise, quinta-feira e sexta-feira, para determinar se o Tratado de Lisboa pode ser salvo depois do não irlandês.

AFP |

Os ministros das Relações Exteriores da UE se encontrarão na segunda-feira em Luxemburgo após o duro golpe do resultado do referendo da Irlanda de quinta-feira.

Os chanceleres discutirão as conseqüências do terceiro "não" em três anos a projetos de reforma institucional elaborados para facilitar a tomada de decisões em um bloco ampliado.

Também será a oportunidade de interrogar o chanceler irlandês, Michael Martin, sobre as possíveis soluções, apesar do primeiro-ministro do país, Brian Cowen, ter afirmado neste domingo que não vê uma solução clara para a crise.

"Meu trabalho é garantir que nossos interesses não sejam sufocados, preservá-los, defendê-los (...), para tentar buscar saídas que não me parecem evidentes no imediato", disse Cowen à rádio pública RTE.

No referendo de quinta-feira, os irlandeses rejeitaram o Tratado de Lisboa por 53,4% contra 46,6% dos votos, uma decisão que se transformou em um quebra-cabeça para os 26 sócios da Irlanda na UE.

Um diplomata, que pediu anonimato, afirmou que as discussões não devem ir muito longe e que não se pedirá nada preciso à Irlanda.

"As pessoas ainda estão muito chocadas com a decisão irlandesa, é preciso esperar que se recupere a clarividência", explica o eurodeputado de centro britânico Andrew Duff, especialista em questões institucionais.

À espera da reunião de cúpula, nos dias 19 e 20 em Bruxelas, e da verdadeira discussão com Cowen para saber se é possível organizar uma nova consulta no país, os contatos bilaterais serão intensificados entre alguns países chave.

O chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, que vê sua presidência da UE a partir de 1º de julho profundamente alterada pelo "não" irlandês, se reunirá segunda-feira com autoridades tchecas. Seu objetivo é garantir que, apesar das afirmações contrárias do presidente Vaclav Klaus, a República Tcheca se compromete a prosseguir com o processo de ratificação.

"O "não" irlandês é uma vitória da liberdade e da razão sobre os projetos elitistas artificiais e a burocracia européia", disse Klaus em um comunicado que considera que o Tratado de Lisboa está "acabado" e que "já não é possível prosseguir com a ratificação".

A chanceler alemã Angela Merkel se reunirá com o premier polonês, Donald Tusk, que deseja a todo custo evitar um desenvolvimento de uma UE de duas velocidades.

Quase todos os dirigentes europeus - com Sarkozy e Merkel à frente - afirmaram que o processo de ratificação do tratado deve continuar nos nove países que ainda não aprovaram o texto.

Uma ratificação rápida por parte da Grã-Bretanha, onde a Câmara dos Lordes deve votar na próxima quarta-feira o Tratado na última leitura, "devolveria um pouco a moral" à Europa, segundo Andrew Duff.

Os dirigentes europeus apostam assim na arriscada solução de isolar o "não" irlandês seguindo adiante com o processo de ratificação, o que não deixaria outra opção aos irlandeses a não ser votar de novo.

cat/fp

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