UE fixa metas para reforçar sua posição na cúpula do G20

Bruxelas, 7 nov (EFE).- Os Governos da União Européia (UE) entraram em acordo hoje sobre sua posição na reforma do sistema financeiro mundial, processo que começará dentro de uma semana em Washington e que os 27 países-membros desejam que seja ambicioso.

EFE |

"Existe uma posição comum da Europa muito detalhada", anunciou em coletiva de imprensa o atual presidente da UE, o francês Nicolas Sarkozy, ao término de três horas de discussões - segundo ele "muito diretas" - entre os chefes de Estado e Governo europeus.

Apesar das diferenças sensíveis, o encontro informal hoje em Bruxelas permitiu aos membros do bloco entrar em um acordo sobre um "corpus de convicções", como definiu Sarkozy, para expressar uma única voz na cúpula de Washington, no próximo dia 15.

A UE quer que o novo sistema financeiro internacional se baseie nos princípios de responsabilidade e transparência, segundo o texto divulgado ao término do encontro.

"Nenhuma instituição, nenhum segmento de mercado e nenhuma jurisdição deve escapar de uma regulação proporcionada e adequada, ou pelo menos da vigilância", assinala o texto, que também faz alusão aos paraísos fiscais e à necessidade de revisar a política de remuneração dos diretores do setor financeiro.

"Não queremos passar de uma ausência de regulamentação a muita regulamentação, mas queremos mudar as regras do jogo financeiro", deixou claro a Presidência rotativa da UE.

A UE, que estará representada em Washington pelo próprio Sarkozy e pelo presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, defende a reforma de instituições financeiras internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"As instituições do século XXI não podem ser as mesmas do século XX", afirmou Durão Barroso.

O FMI deverá assumir, segundo a visão da UE, um "papel central" para uma arquitetura financeira mais eficaz, em coordenação com o Fórum de Estabilidade Financeira (FSF).

Porém, a posição dos europeus em relação ao FMI ainda está longe de ser uniforme.

Enquanto países como a França pedem a ampliação das competências do Fundo, outros consideram que bastaria que recuperasse as funções originais para as que foi criado e que foram se diluindo com o tempo.

Assim, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, presente durante todo o debate dos líderes, propunha que fosse reforçado seu papel de vigilância e se desse mais poder para pôr em prática essa função, que é a que foi proposta em sua fundação.

Os membros do bloco europeu estão decididos a que na cúpula de Washington se marque uma agenda clara de reformas, algumas das quais deverão entrar em vigor imediatamente.

Entre outras coisas, proporão que seja fixado um prazo de 100 dias, a partir de 15 de novembro, que quando expirasse culminaria em uma outra reunião internacional para avaliar os progressos e fixar novos objetivos.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, fizeram pressão para que o texto pactuado não levasse a um excesso de regulação.

Por isso, quando se afirma que nenhuma instituição, nem segmento de mercado nem jurisdição poderá escapar da regulação, o documento diz que isso aconteceria de forma "proporcionada e adequada".

Segundo Sarkozy, os europeus estão também unanimemente de acordo sobre a necessidade de que a cúpula do G20 tome "decisões fortes, ambiciosas e operativas".

"Washington não deve ser uma reunião simplesmente para deliberar sobre as causas da crise", frisou.

O debate evidenciou, além disso, a enorme inquietação dos Governos europeus pelas conseqüências econômicas da crise financeira.

"A vontade dos países membros é coordenar também nossas medidas econômicas como estamos coordenando nossa resposta financeira", assegurou Sarkozy.

A Comissão Européia deverá apresentar para a próxima cúpula comunitária de dezembro as primeiras propostas concretas dirigidas a estimular a economia e o emprego.

Barroso afirmou que a resposta coordenada européia será construída sobre a base da chamada Estratégia de Lisboa, que põe ênfase nas reformas estruturais e na inovação, e no respeito do Pacto de Estabilidade, que proíbe os déficits orçamentários excessivos. EFE jms/rr

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