UE fixa bases para reafirmar posição perante EUA após eleições

Marselha (França), 3 nov (EFE).- Os ministros de Assuntos Exteriores da União Européia (UE) aprovaram hoje um documento base que orienta sua relação com o Governo americano após as eleições nos Estados Unidos.

EFE |

O chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou que o documento, muito breve, não será tornado público até que sejam divulgados os resultados das eleições presidenciais americanas, que acontecem amanhã.

"Também não se trata de dar lições aos EUA, mas de um sopro de valor agregado a alguns objetivos comuns", disse o ministro francês, que liderou hoje em Marselha uma reunião de chanceleres da UE dedicada ao futuro das relações transatlânticas.

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, afirmou que o documento está "muito pactuado", enquanto a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero, afirmou que se trata de "definir as prioridades européias" no mundo.

A cautela européia perante as eleições de amanhã nos EUA foi tal que nem Kouchner, nem Ferrero, nem Solana quiseram dizer que candidato à Presidência será o encarregado de discutir com a UE as futuras relações transatlânticas.

"Não posso responder a essa questão. Espero os resultados", disse Kouchner, que considera que o texto não pode ser publicado "até que haja resultados". "São os americanos que devem decidir", afirmou Ferrero.

As novas relações aspiradas pela UE, segundo Kouchner, são baseadas em que "o mundo de amanhã é global e multilateral", onde os europeus precisam ser ouvidos "como parceiros".

"A Europa e seu número de telefone existem", disse Kouchner, e neste semestre "o número da Europa é francês, o da Presidência, e pedimos que nossas iniciativas sejam ouvidas e compartilhadas".

O ministro francês enumerou vários capítulos de política internacional nos quais a voz européia deve ser levada em conta.

Como exemplo, citou Oriente Médio, incluindo Iraque e Irã, Afeganistão, Paquistão, Rússia e China.

Kouchner defendeu a relação "multilateral" com os EUA, um "país que ainda permanece na frente", e ressaltou que há "dez ou inclusive cinco anos era inimaginável uma relação desse tipo".

A idéia européia de multilateralismo, segundo Kouchner, é "a vontade de reequilibrar o mundo sem esquecer dos mais pobres".

No Oriente Médio, a UE reconhece que os EUA estão "na primeira linha e que os europeus podem ser o apoio na busca por uma paz justa e equilibrada", principalmente, como disse Kouchner, agora que em Israel há um Governo provisório, os palestinos realizam eleições em janeiro e nos EUA há mudança presidencial.

Sobre a Rússia, Kouchner destacou sua importância no abastecimento de energia para Europa e disse que "é o vizinho dos europeus com quem é preciso aprofundar o diálogo".

O ministro francês afirmou que a crise financeira internacional se transformou nas últimas semanas em uma demonstração de como se pode trabalhar conjuntamente com os EUA.

Em setembro, a UE decidiu, em reunião de chanceleres em Avignon, continuar sua "colaboração privilegiada" com os EUA, porém com relações "em pé de igualdade", reflexão que culminou hoje em Marselha, um dia antes das eleições presidenciais americanas.

Durante a reunião de Marselha, Kouchner e o chanceler britânico, David Miliband, informaram aos demais ministros sobre sua viagem deste fim de semana à República Democrática do Congo (RDC).

Kouchner reiterou a necessidade de "impulsionar a via diplomática" para a solução do conflito, mas se mostrou, ao mesmo tempo, partidário de "aumentar a eficácia" do contingente da ONU e de "esclarecer as regras de atuação".

"Não pode haver uma solução militar para o conflito, mas é possível assegurar as vias de comunicação para o transporte da ajuda humanitária", disse Kouchner.

Solana disse, em coletiva de imprensa, que "é preciso ver as prioridades" e que é necessário levar adiante uma "iniciativa política". EFE lab/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG