UE fecha acordo para impor novas sanções ao Irã

Por Mark John BRUXELAS (Reuters) - Os países-membros da União Européia (UE) acertaram na segunda-feira impor novas sanções contra o Irã, entre as quais congelar os bens de seu maior banco, devido à recusa do país em restringir seu programa nuclear.

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A UE, no entanto, disse que as portas continuavam abertas para possíveis negociações sobre um pacote internacional de incentivos sugerido aos iranianos neste mês pelo chefe da área de relações externas do bloco, Javier Solana, a fim de convencer o país a abrir mão do enriquecimento de urânio.

As novas sanções da UE representam o mais recente esforço do Ocidente para pressionar o Irã a respeito de seu programa nuclear. As medidas devem ter por alvo empresas e indivíduos do Ocidente supostamente ligados aos programas nuclear e balístico iranianos.

'Os indivíduos serão proibidos de ingressar na UE e as empresas serão proibidas de atuar dentro da UE', disse uma autoridade do bloco que não quis ter sua identidade revelada.

As declarações foram dadas depois de ministros de países-membros da entidade terem aprovado o pacote de sanções, em uma reunião ocorrida em Luxemburgo.

A UE deve divulgar os nomes dos punidos na terça-feira, mas a autoridade disse que o Banco Melli teria seus bens congelados, ao passo que a proibição na concessão de vistos atingiria 'especialistas muito destacados' dos programas nuclear e balístico do Irã.

'Isso terá impacto especialmente sobre a importação de produtos caros', afirmou o analista iraniano Saeed Laylaz, a respeito das consequências da medida adotada contra o banco, um importante fornecedor de garantias para contratos de exportação.

'A economia do Irã passará a depender ainda mais dos mercados chineses', afirmou Laylaz, referindo-se aos laços comerciais cada vez mais profundos entre o país islâmico e a Ásia. Nos últimos cinco anos, a fatia européia nas trocas comerciais externas do Irã caíram de 60 por cento para algo entre 25 e 30 por cento.

O Banco Melli possui filiais em Paris e em Hamburgo, além de uma unidade em Londres chamada Melli Bank Plc. Uma pessoa próxima dessa subsidiária afirmou estar buscando informações das autoridades britânicas a respeito das sanções.

BATE E ASSOPRA

A autoridade da UE ressaltou que as sanções baseavam-se em medidas acertadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e que as seis potências mundiais responsáveis pelo pacote de incentivo -- os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha -- ainda tentavam obter uma resposta do Irã a respeito de sua oferta.

'Continuamos a trabalhar em uma pista dupla', afirmou a autoridade, referindo-se às políticas de incentivo e de sanção adotadas até agora e que não conseguiram convencer o país islâmico a abrir mão de seu programa nuclear. Potências ocidentais suspeitam que esse programa poderia servir de fachada para o desenvolvimento de bombas atômicas. Os iranianos afirmam que pretendem, com seu programa, apenas gerar eletricidade.

Os EUA e a UE decidiram neste mês estar prontos para adotar medidas adicionais a fim de garantir que os bancos iranianos não consigam dar apoio à suposta proliferação de armas ou a supostas atividades terroristas.

Diplomatas afirmam que há negociações sendo realizadas por países do Ocidente a respeito da possibilidade de impor ainda mais sanções contra o setor nuclear do Irã.

A disputa em torno do programa atômico iraniano alimentaram temores sobre a possibilidade de eclodir uma guerra e ajudaram a elevar ainda mais o preço do petróleo, que atingiu patamares recorde.

(Reportagem adicional de Jeremy Smith em Luxemburgo, Fredrik Dahl em Teerã e Mark Trevelyan em Londres)

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