UE espera resposta rápida e positiva do Irã

O chefe da diplomacia da União Européia (UE), Javier Solana, afirmou neste sábado em Teerã que espera uma resposta rápida e positiva do Irã sobre a oferta de cooperação das seis potências para que o país suspenda o enriquecimento de urânio.

AFP |

De acordo com Solana, esta é uma oferta "cheia de oportunidades para o Irã", país que nega a ambição de construir uma bomba atômica, como suspeitam o Ocidente e Israel, e que possibilitaria "normalizar totalmente a relação em todos os aspectos".

O diplomata, que fez as declarações durante coletiva de imprensa ao final de sua visita, disse também que falta "restabelecer a confiança da natureza pacífica do programa nuclear iraniano".

Apesar das esperanças expressadas por Solana, Teerã se negou em várias ocasiões a suspender o enriquecimento de urânio, a principal condição da proposta apresentada por Solana em nome das seis potências - Alemanha mais os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Rússia, China, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.

"A postura do Irã é clara: qualquer condição à suspensão de nossas atividades nucleares não será aceita", disse neste sábado o porta-voz do governo iraniano, Gholam Hossein Elham, que afirmou também que a República Islâmica só apresentará uma resposta após uma "avaliação precisa" da proposta.

O Alto Representante da UE entregou a proposta ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Manucher Mottaki.

Em comunicado, Mottaki minimizou a rejeição por parte do porta-voz do governo e colocou na balança uma série de propostas apresentadas pelo Irã em maio para resolver "os grandes problemas do mundo".

Estas propostas, que incluem a criação no Irã de um consórcio para o enriquecimento de urânio, não mereceu até o momento nenhuma reação das principais capitais do Ocidente.

"A resposta do Irã ao pacote das potências do 5+1 levará em consideração a resposta lógica e construtiva das potências mundiais ao pacote das propostas iranianas", afirmou Mottaki.

Solana esteve acompanhado de diplomatas representantes de todos os países envolvidos menos os Estados Unidos, já que Washington e Teerã cortaram relações em 1980.

O presidente americano George W. Bush, antes mesmo da conclusão da viagem de Solana, manifestou sua decepção.

"Estou decepcionado que os dirigentes recusaram esta oferta generosa. É uma indicação para todos os iranianos de que suas autoridades querem isolá-los ainda mais", afirmou Bush em uma coletiva de imprensa em Paris junto ao presidente francês Nicolas Sarkozy.

O chefe de Estado francês também alertou que a "aquisição por parte do Irã de uma bomba nuclear é inaceitável".

Na quarta-feira passada, o presidente Mahmud Ahmadinejad afirmou que as grandes potências nunca conseguirão "retardar" o Irã "nem tirar sua dignidade".

A proposta de Solana é uma nova versão da que o Irã recusou há dois anos e na qual as grandes potências "reconhecem o direito do Irã de desenvolver a pesquisa, a produção e a utilização da energia nuclear com fins pacíficos".

No setor nuclear civil, propõe como em 2006 ajudar o Irã a adquirir tecnologias "modernas" e garantem o abastecimento de combustível nuclear.

Na aviação civil, os Estados Unidos estão dispostos, como em 2006, a fornecer o material necessário para melhorar a frota de Boeings iranianos e suspender deste modo o embargo atualmente vigente.

As seis potências propõem também "normalizar as relações econômicas e comerciais" com Teerã e ajudar o Irã a desempenhar um papel importante na segurança do Oriente Médio.

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