UE enviará mais observadores à Geórgia e aumentará presença na região

Bruxelas, 13 ago (EFE).- Os 27 países-membros da União Européia (UE) chegaram a um acordo hoje sobre a necessidade de ter mais observadores na Geórgia para garantir o fim da violência e se comprometeram a aumentar sua presença na região, em apoio aos esforços de paz da ONU e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

EFE |

Em um encontro extraordinário de chanceleres europeus para analisar o conflito da Ossétia do Sul, a UE respaldou o acordo de paz pactuado pelos Governos russo e georgiano com mediação da França, que ocupa a Presidência rotativa do bloco europeu.

O acompanhamento desse plano de paz será debatido em setembro em uma nova reunião informal dos ministros de Assuntos Exteriores europeus, mas qualquer decisão definitiva terá ser respaldada por um novo pronunciamento do Conselho de Segurança da ONU.

Os chanceleres elogiaram Paris pelo êxito de suas gestões em nome da UE e concordaram que a prioridade agora é assegurar o respeito ao cessar-fogo e atender as vítimas dos enfrentamentos, porém ressaltaram diferenças sobre como enfrentar a relação com a Rússia após esse conflito.

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, reconheceu que o acordo de paz entre russos e georgianos é um texto de compromisso, que não satisfaz totalmente a ninguém.

Kouchner explicou que, após ver as conseqüências da violência na região, seu objetivo era acabar com as hostilidades urgentemente, para que as mulheres na região "não tenham que continuar vendo seus filhos com os pescoços cortados".

A UE pactuou hoje conclusões que incluem o reforço da equipe de observadores da OSCE na região e deixam claro que o bloco atuará dentro dessa organização.

Os países-membros da UE destacam que o bloco deve estar preparado para se comprometer nesse âmbito para apoiar todos os esforços, especialmente da ONU e da OSCE, com o objetivo de encontrar uma solução pacífica e estável para os conflitos na Geórgia.

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, e a Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE) deverão apresentar propostas para tornar esse compromisso realidade, que serão discutidas na reunião informal de chanceleres, convocada para 5 e 6 setembro em Avignon, na França.

Kouchner disse que muitos países da UE propuseram uma intervenção européia na região, mas advertiu que a idéia não é enviar forças militares nem de pacificação, e sim desempenhar tarefas de "vigilância, controle e mediação".

"Nós nos vemos encorajados pela resposta dos países", afirmou Kouchner, que ressaltou que antes de tomar qualquer decisão é necessária uma nova resolução da ONU sobre o problema.

Solana também reafirmou o compromisso da UE com a paz na Geórgia, mas reiterou que, uma vez confirmada a cessação das hostilidades, é imprescindível um novo pronunciamento do Conselho de Segurança da ONU.

Quanto à resposta da UE sobre a atuação da Rússia na Geórgia, vários ministros, entre eles Kouchner, frisaram que não é o momento de julgar "quem foi bom ou quem foi mau".

Entretanto, o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, criticou com dureza a agressividade as tropas russas na Geórgia e declarou que a UE deve "revisar" sua relação com a Rússia.

Miliband questionou inclusive a atitude da UE de continuar negociando um novo acordo de associação com Moscou.

Segundo Miliband, esse assunto deve figurar na agenda da reunião informal que os ministros de Assuntos Exteriores realizarão em setembro, pedido aceito por Kouchner. EFE epn/wr/rr

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