UE elogia o anúncio da libertação em breve de presos em Cuba

Medida representará a maior libertação em massa de prisioneiros cubanos em décadas

AFP |

A União Europeia (UE) elogiou nesta quinta-feira o anúncio da possível libertação de 52 presos políticos cubanos, o que considera indispensável para eliminar o bloqueio comercial contra Havana, um objetivo que a Espanha espera conseguir em setembro.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, aplaudiu o anúncio, fruto do diálogo entre a Igreja católica e o governo de Raúl Castro, e disse esperar uma rápida implementação do mesmo, segundo seus porta-vozes.

Libertação de presos

O governo de Cuba anunciou na última quarta-feira que vai libertar 52 presos políticos , cinco deles nas próximas horas e 47 em quatro meses.

AP
Cardeal cubano Jaime Ortega (à dir.) e chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, reúnem-se em Havana (06/07/2010)
A libertação dos 52 opositores , de um grupo de 75 detidos em 2003, foi comunicada durante encontro entre o presidente Raúl Castro, o cardeal Jaime Ortega e o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos, segundo o texto do Arcebispado de Havana.

"O cardeal Ortega foi informado de que nas próximas horas" cinco prisioneiros "serão postos em liberdade e poderão seguir para a Espanha, em companhia de seus familiares", destacou o comunicado, sem precisar as identidades deles.

Acrescentou "que os demais 47 prisioneiros também poderão deixar o país, se preferirem, depois dos trâmites de libertação.

A iniciativa é fruto do diálogo aberto pelo próprio Raúl Castro e o arcebispo Ortega no dia 19 de maio, que teve como primeiro resultado a libertação de um dissidente enfermo e o traslado de outros 12 a prisões das províncias onde residem seus familiares.

Segundo o comunicado da Igreja, o cardeal Ortega foi informado de que, além das libertações "nas próximas horas", outros seis detidos serão encaminhados para prisões próximas de sua residência.

A libertação dos políticos, em especial 25 enfermos, era a condição imposta pelo dissidente Guillermo Fariñas para acabar com a greve de fome que realiza e completa 134 dias. Fariñas está internado no hospital da cidade de Santa Clara, correndo risco de morte devido a um coágulo na jugular, pelo que, atualmente, não emite declarações para a imprensa.

Devido ao caso dos 75 políticos detidos, a União Europeia (UE) impôs sanções a Cuba, levantadas temporariamente em 2005 e definitivamente em 2008 por iniciativa ds Espanha que, nos últimos anos, tentou aproximar Havana e Bruxelas.

O chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, viajou a Cuba para acompanhar o diálogo entre a Igreja e o governo e acelerar as libertações.

Segundo o chanceler espanhol, os bons resultados de sua visita "permitirão trabalhar para levantar definitivamente" a Posição Comum, que desde 1996 submete as relações da União Europeia (UE) com Cuba a avanços nos direitos humanos.

"Chegou o momento (...) de superar o bloqueio", disse Moratinos defendendo o diálogo para a cooperação. A imprensa espanhola menciona que França e Espanha receberiam os presos políticos, enquanto que o Chile se declarou oficialmente disposto a fazê-lo.

Nas prisões cubanas, estão atualmente 167 presos políticos, 34 menos que no fim de 2009 , conforme relatório da opositora Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN).

*Com EFE e AFP

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