UE e Ucrânia fazem pacto contra novos cortes de gás

Bruxelas, 27 jan (EFE).- O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, e o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, anunciaram hoje que aumentarão sua cooperação para evitar que as crises do gás com a Rússia se transformem em um evento anual.

EFE |

A UE está disposta a facilitar o acesso da Ucrânia ao acordo energético da CE e apoia a realização de uma conferência em 23 de março em Bruxelas para estudar como melhorar a passagem de gás pelo território ucraniano, afirmou Barroso ao final de um encontro com Yushchenko.

Por outro lado, o presidente ucraniano disse que a recente crise do gás que afetou vários países da CE não foi um problema de passagem, mas de fornecimento.

"A Ucrânia não fez nada para deter o trânsito do gás rumo à Europa. Temos uma política aberta e estamos interessados em que a UE considere a Ucrânia um parceiro confiável, completamente integrado ao espaço econômico europeu", declarou.

Barroso alegou que não questiona as intenções nem da Ucrânia nem da Rússia, mas que destacou o fato objetivo da interrupção do fornecimento de gás para a UE por causa de uma disputa comercial bilateral.

Segundo o presidente da CE, o episódio diminui a credibilidade de ambos os países.

Ele se mostrou satisfeito, entretanto, com o fato de Yushchenko ter reafirmado as intenções ucranianas de cumprir o contrato sobre os preços do gás e as tarifas de passagem assinadas com Moscou, apesar de não estar "muito contente" com os termos do mesmo.

O presidente ucraniano afirmou que todos aprenderam com o episódio e encorajou os consumidores europeus a continuarem confiando em seu país como território de passagem, por ser, segundo ele, "um dos mais seguros da Europa".

Yushchenko se disse decidido a fazer tudo o que for possível para melhorar este trânsito e cooperar com a UE neste sentido, e convidou a CE a manter monitores nas instalações ucranianas.

"A rede de passagem ucraniana precisa de uma modernização técnica e tecnológica", ressaltou Yushchenko, quem também considerou importante a harmonização dos sistemas elétricos ucraniano e europeu.

Barroso lembrou que no ano passado Ucrânia e UE, sob Presidência francesa, já haviam combinado se associar para melhorar a passagem do gás, o que facilitaria a criação de uma área comercial aberta e uma ligação mais profunda em matéria energética.

"Vemos uma margem importante de cooperação entre UE e Ucrânia em muitas outras questões; é importante não apenas solucionar as questões energéticas, mas também transformá-las em um vínculo positivo", destacou Barroso.

O português ressaltou a necessidade de conseguir na Ucrânia uma estabilidade política interna baseada na democracia e no estado de direito e assegurou que a UE está disposta a apoiar o processo de reformas políticas e econômicas.

Yushchenko aproveitou o encontro de hoje para convidar Barroso a visitar Kiev, o que o presidente da CE confirmou que fará assim que puder, como "sinal claro do apoio às reformas e às perspectivas ucranianas na Europa".

Barroso esclareceu que hoje não se abordaram questões comerciais, já que os países da UE mantêm contratos de fornecimento de gás diretamente com a companhia estatal russa Gazprom, e constatou que a reunião se focou em questões de "cooperação estratégica" com visando ampliar e melhorar a rede de passagem ucraniana e sua conexão.

A crise do gás entre Rússia e Ucrânia foi motivada pelo desacordo entre os dois países sobre os preços do combustível para este ano, o que acabou causando um corte total do fornecimento, que afetou vários países da UE em plena onda de frio. EFE mrn/jp

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