O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e autoridades da União Européia lançaram nesta sexta-feira negociações para um novo acordo de cooperação estratégica. O anúncio foi feito em uma reunião de cúpula da Rússia e do bloco europeu na cidade siberiana de Khanty-Masiysk.

O lançamento das negociações, que devem começar de fato daqui a uma semana em Bruxelas, vinha sendo adiado devido à relação tensa de alguns países da União Européia, como a Polônia e a Lituânia, com o antecessor de Medvedev na Presidência russa, Vladimir Putin.

Na reunião, Medvedev afirmou que está buscando um "novo impulso" nas relações com a União Européia.

"O futuro acordo é um instrumento para aproximar verdadeiramente a Rússia e a União Européia. Será construído sobre o princípio de direitos iguais, pragmatismo, respeito pelos interesses de outras partes e, claro, uma abordagem comum a problemas importantes de segurança", disse.

"Destacaria que (o futuro acordo) está destinado a se transformar na base de uma parceria estratégica entre a Rússia e a União Européia para o longo prazo."
Interesses
O novo acordo entre União Européia e a Rússia deve substituir um de dez anos que expirou em 2007, mas que deve continuar norteando as relações bilaterais até que um novo entre em vigor.

Medvedev elogiou o clima "sincero, amável" durante a reunião, e o presidente da Comissão Européia (o órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, afirmou que "realmente gostou (da reunião)... uma atmosfera muito aberta e construtiva".

Mas, apesar dos interesses comuns, velhos problemas já surgiram durante o encontro em Khanty-Masiysk, segundo o correspondente da BBC em Moscou, James Rodgers.

Medvedev afirmou que a Rússia ficou assustada com o que ele chamou de tendência de usar a solidariedade européia para promover os interesses de integrantes individuais do bloco em disputas bilaterais com a Rússia.

As negociações foram paralisadas em 2006 depois que a Polônia contestou um embargo imposto pelos russos à importação de carne e derivados feitos em território polonês.

Depois, foi a vez da Lituânia atrasar as negociações, alegando que queria um debate sobre o apoio russo a separatistas da Geórgia e da Moldávia. O país báltico retirou essa ressalva em maio.

Segurança
O presidente russo também criticou duramente os planos dos Estados Unidos para a instalação de um escudo antimísseis na Europa e alertou a União Européia para que não deixe a cargo de outros países garantir a segurança no bloco.

De acordo com James Rodgers, a Rússia afirmou que os líderes da União Européia receberam com interesse as propostas russas para um novo tratado de segurança europeu.

Moscou quer realizar uma nova reunião de cúpula para discutir a questão.

O governo russo acredita que as atuais organizações internacionais de segurança, incluindo a Otan, não estão preparadas para lidar com a tarefa sozinhas.

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