UE e ONU propõem criação de patrulhas de proteção à mulher nas guerras

Bruxelas, 10 out.- A União Européia (UE) e a ONU propuseram hoje habilitar patrulhas específicas para a proteção das mulheres nos conflitos armados, com o objetivo de erradicar a violência sexual nas guerras e períodos pós-bélicos.

EFE |

Esta possibilidade foi discutida em um encontro no qual participaram a secretária de Estado de Exteriores francesa, Rama Yada, A comissária de Relações Exteriores da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, a diretora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), Inés Alberdi, e os chefes de várias missões militares da UE.

Para evitar "a violência sexual sistemática" que sofrem as mulheres durante as guerras e pós-guerras, a ONU e a UE pretendem "aumentar a responsabilidade" das missões de segurança e defesa desdobradas na região, segundo disse Rama.

A responsável francesa - país que ocupa a Presidência rotativa da UE - qualificou de "dramática" a situação atual da mulher em vários conflitos, devido ao constante uso da violação como arma de guerra.

"É necessário aplicar de uma vez as resoluções adotadas pela ONU, e isto só podem fazê-lo os atores no terreno", disse Rama se referindo ao texto recentemente adotado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para intensificar a luta contra a violência sexual.

Em particular, os representantes da ONU e da UE trataram de medidas como desdobrar patrulhas específicas para acompanhar as mulheres "em momentos e lugares de especial risco", lutar contra a impunidade dos agressores ou melhorar a assistência sanitária às vítimas, explicou Inés à Agência Efe.

Embora tenha admitido que a primeira destas propostas "se afasta da forma normal de trabalhar dos exércitos", Inés afirmou que com ela "poderiam ser evitadas muitas atrocidades, como os raptos de mulheres por parte de milícias".

Esta prática é "habitual" no Congo e em outros países africanos, onde os grupos armados costumam capturar aquelas mulheres que saem para buscar água em áreas de floresta durante a noite para depois transformá-las em "escravas sexuais", explicou Rama.

Além disso, a UE e a ONU tentarão aumentar sua cooperação com as forças da ordem dos países afetados "para evitar que as denúncias das vítimas fiquem no ar", disse a diretora do Unifem.

Ambos os organismos estudam "como conseguir uma melhor aplicação da justiça internacional" nas citadas regiões, e buscam possíveis vias para que as missões militares desdobradas disponham de maior poder de intervenção, disse Inés.

A ONU pretende que estas propostas sejam definidas e se iniciem ao longo de 2009, acrescentou a diretora do Unifem. EFE ahg/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG