UE e EUA discutem alarmismo em alertas de terrorismo

Em reunião, autoridades europeias e americanas decidem buscar fórmulas mais adequadas para comunicar população sobre ameaças

iG São Paulo |

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos decidiram nesta quinta-feira buscar fórmular mais adequadas para comunicar sobre a existência de ameaças terroristas, com o objetivo de informar os cidadãos sem "alarmismo desnecessário".

A declaração foi feita pela ministra do Interior da Bélgica, Annemie Turtelboom, após uma reunião em Luxemburgo entre os ministros do Interior dos 27 membros da UE, o coordenador antiterrorista europeu, Gilles de Kerchove, e a subsecretária de Segurança Nacional dos EUA, Jane Holl Lute. Os ministros discutiram, entre outros assuntos, os alertas emitidos por Estados Unidos, Reino Unidos e França sobre possíveis atentados da rede terrorista Al-Qaeda em países da Europa.

Segundo Turtelboom, além de buscarem novas maneiras de comunicar sobre ameaças terroristas, o bloco europeu e os Estados Unidos vão realizar uma reunião semelhante todos os anos. O objetivo do encontro, que contará com a participação da secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, será debater a melhor forma de combater o terrorismo.

Críticas

Na quarta-feira, o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, criticou o alarmismo de alguns países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, ao alertar sobre possíveis ataques na Europa.

"Levamos tudo isso muito a sério. Mas a maneira de apresentar (as ameaças) em praça pública é algo que os terroristas também utilizam, exatamente porque querem propagar o terror. Nós trabalhamos muito e falamos pouco", declarou o ministo à rádio Deutschlandfunk.

"Ninguém pode errar com isso. A Alemanha também é um alvo dos terroristas. Mas, por outro lado, não há nenhum indício concreto de que haja um projeto de atentado iminente", destacou o ministro, acrescentando que as autoridades alemãs permanecem em estado de alerta e investigam "numerosos" indícios.

Em 29 de setembro, a imprensa americana noticiou que fontes de inteligência disseram ter descoberto um plano da Al-Qaeda para matar civis em lugares turísticos na França, Grã-Bretanha e Alemanha. Os ataques aconteceriam como em Mumbai, na Índia, em 2008, com atiradores disparando a esmo em meio à multidão.

No último domingo, EUA e Reino Unido alertaram seus cidadãos sobre a possibilidade de ações terroristas no continente. "Lembramos aos cidadãos americanos do potencial dos terroristas de atacar sistemas de transporte público e outras infraestruturas de turismo", afirma uma nota emitida pelo Departamento de Estado americano. Japão e França fizeram advertências similares esta semana.

Após o vazamento da informação para a imprensa americana, as autoridades afirmaram que o plano não foi interrompido, mas disseram que não esperam que nenhum atentado seja cometido. Algumas fontes de inteligência dos Estados Unidos chegaram a dizer que o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, poderia estar envolvido no plano para atacar os países europeus.

Na segunda-feira, ataque aéreo de avião não-tripulado dos EUA deixou oito militantes mortos no Paquistão. Entre os mortos havia pelo menos três alemães de origem árabe ou turca.

Com EFE, AFP e BBC

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