UE e Cuba retomam cooperação após 5 anos, mas sem esconder diferenças

José Luis Paniagua. Havana, 23 out (EFE).- A União Européia (UE) e Cuba retomaram hoje em Havana, após cinco anos de interrupção, a cooperação ao desenvolvimento com expressões de vontade para avançar também no terreno político, mas sem ocultar as diferenças que ainda mantêm.

EFE |

O comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, e o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, assinaram a declaração com a qual retomam a colaboração em um ato formal no qual também esteve o presidente da Comissão de Desenvolvimento do Parlamento Europeu, o espanhol Josep Borrell.

Michel ofereceu 2 milhões de euros (US$ 2,56 milhões) como "ajuda de emergência" imediata, para atenuar os estragos causados pela recente passagem de dois furacões pela ilha, e o compromisso de outros 25 milhões a 30 milhões de euros (de US$ 32 milhões a US$ 38,4 milhões) a partir de 2009.

"A Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE) anunciou hoje uma ajuda de emergência de 2 milhões de euros que pode ser imediatamente utilizada para a ajuda humanitária", declarou Michel à imprensa após a assinatura do documento.

Ele disse, além disso, que "de 25 milhões a 30 milhões de euros poderão financiar projetos para reconstruir tudo o que foi danificado e todos os danos ocasionados pelos furacões", que atingiram Cuba há quase dois meses e deixaram prejuízos avaliados pelo Governo em cerca de US$ 5 bilhões.

"Este montante de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões de euros estará disponível a partir de 2009", acrescentou.

Michel explicou que, em duas semanas, uma delegação liderada pelo diretor-geral de Desenvolvimento da CE, Stefano Manservisi, visitará a ilha para identificar junto à parte cubana os setores e os programas que podem ser implantados "com rapidez" em campos como ciência, educação e saúde.

O comissário expressou sua "grande satisfação" pelo reatamento da cooperação interrompida em 2003 após a decisão do bloco de estabelecer sanções diplomáticas contra Cuba depois que a ilha condenou 75 dissidentes a longas penas de prisão.

As sanções foram suspensas em 2005 e definitivamente eliminadas em junho.

Durante as saudações protocolares, o comissário manifestou a Pérez Roque "a vontade sincera da UE de voltar a criar as bases com Cuba para desenvolver uma relação forte, estratégica, útil, positiva e respeitosa".

"Estou completamente seguro de que, de maneira rápida, com uma boa vontade recíproca, espírito de compreensão mútuo e respeito, esta nova aliança entre Cuba e a UE terá resultados positivos para ambas as partes", disse.

Ele inclusive afirmou que em questões como a reforma das instituições financeiras internacionais, a UE tem posições e compromissos que são "muito próximos" aos de Cuba.

No entanto, ele também disse que "nenhum tema deve constituir um tabu", em alusão aos direitos humanos, no marco do diálogo político iniciado na semana passada em Paris durante a primeira reunião ministerial de ambas as partes.

Já Pérez Roque disse que "se abre uma nova etapa que deixa para trás os enfrentamentos do passado", algo que é "coerente com os interesses dos povos da UE" e de Cuba.

Acrescentou que as concordâncias entre os dois devem "ser a base" para as relações futuras e manifestou a "determinação" de Cuba de avançar no diálogo político com a UE iniciado na semana passada em Paris.

Além disso, reconheceu a contribuição pessoal do comissário Michel, de Borrell e de outros políticos, "em particular do ministro espanhol de Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, e do Governo espanhol", que tiveram "um papel fundamental" no estreitamento "das relações entre a UE e Cuba".

No entanto, lembrou que "há também diferenças que devem ser discutidas com respeito e que não devem" constituir um "obstáculo" ao diálogo, à cooperação e às relações.

"É preciso continuar trabalhando para estabelecer um marco mutuamente aceito que estabeleça um âmbito de cooperação e de relações bilaterais negociado e aceitável para ambas as partes que, na opinião de Cuba, deverá substituir no futuro a posição comum da UE de 1996", acrescentou o chanceler. EFE jlp/ab/plc

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