UE diz à Grécia que redução maior do déficit pode ser necessária

Por Jan Strupczewski e Marcin Grajewski BRUXELAS (Reuters) - Ministros europeus disseram à Grécia na terça-feira que o país pode precisar adotar novas medidas para colocar suas dívidas sob controle e acalmar os mercados financeiros irracionais, enquanto os cortes salariais já anunciados por Atenas deflagraram uma outra greve.

Reuters |

Numa reunião da União Europeia, os ministros das Finanças da Alemanha, da Áustria e da Suécia lideraram a declaração. O vice-ministro das Finanças alemão afirmou que a Grécia deveria fazer o mesmo que a Irlanda e a Letônia, que estão cortando drasticamente os gastos e os salários.

"Deixamos claro que a bola está com os gregos", disse Joerg Asmussen. "São necessárias medidas adicionais na Grécia."

Isso e uma declaração divulgada pelos ministros após a reunião sugeriram claramente que os 30 dias concedidos por eles à Grécia antes que ela volte a prestar contas terminarão com exigências para novos cortes orçamentários ou aumento de impostos, ou ambos.

A Grécia é o primeiro país, em 11 anos de união monetária europeia, a necessitar de um comprometimento político de apoio, enquanto os temores relacionados à dívida do país deflagraram um ataque do mercado que chegou a afetar o euro.

Os ministros não falaram nada sobre medidas específicas de apoio ou de ajuda, optando por aumentar a pressão sobre a Grécia em troca da promessa de apoio caso as coisas saiam do controle, uma promessa feita pelos líderes europeus na última quinta-feira.

"A pressão para que a Grécia considere novas medidas até 16 de março aumentou claramente", disse o ministro das Finanças da Áustria, Josef Proell, acrescentando que até agora não se chegou a um acordo sobre medidas de apoio.

Questionado sobre o que aconteceria se a Grécia enfrentasse dificuldade de arrecadar dinheiro nas próximas semanas, Proell disse que a questão era um assunto para a Grécia em primeiro lugar, mas que a Europa estaria por trás do país.

"A Alemanha, a França e outros --haveria um grupo de países capazes de dar dinheiro à Grécia para estabilizar o país e também a zona do euro," disse ele numa entrevista à Reuters TV. "Mas essa discussão ainda não começou."

Dezesseis de março é o prazo que os ministros das Finanças estabeleceram para que a Grécia mostre que seu plano está funcionando de forma eficaz e para eles decidirem o que deverá acontecer em seguida, enquanto tentam afastar os problemas de Atenas e evitar qualquer crise maior nos mercado da dívida.

A Grécia terá de prestar contas novamente em meados de maio e depois a cada três meses. Asmussen, da Alemanha, e outros sugeriram que os conselhos do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas não o seu dinheiro, também seriam necessários para ajudar Atenas a superar o desafio.

O comissário de Assuntos Monetários europeu, Olli Rehn, disse que especialistas da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu irão a Atenas "nos próximos dias" para verificar a implementação das medidas anunciadas até agora.

SOB PRESSÃO

Com dois lotes da dívida soberana de mais de 8 bilhões de euros cada a serem refinanciados nos mercados em abril e maio, Atenas está na berlinda, e os mercados também têm outros países da zona do euro, tais como Espanha e Portugal, em sua mira.

O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, que disse na segunda-feira que seu governo precisaria mais do que um dia para "corrigir o rumo do Titanic", afirmou que seu país talvez fosse um alvo fácil, mas que a promessa de apoio deveria servir como um impeditivo.

"Hoje é a Grécia, amanhã pode ser outro país," disse ele.

Jean-Claude Juncker, de Luxemburgo, também comentou a frustração nos mercados, para onde os governos se voltam para refinanciar a dívida via emissão de obrigações regularmente, até agora com sucesso.

"Não deveríamos aceitar ser o alvo de mercados financeiros," disse Juncker. "Estou preocupado com essa forma irracional de comportamento dos mercados financeiros."

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