UE disponibiliza 50 bi de euros a países mais afetados pela crise

Estefanía Narrillos. Bruxelas, 20 mar (EFE).- A União Europeia (UE) deixou hoje clara sua vontade de ajudar os países mais afetados pela crise e, para provar isso, injetará até 50 bilhões de euros nos fundos para apoiar os membros com desequilíbrio no balanço de pagamentos e emprestará 75 bilhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

EFE |

Os líderes dos 27 países-membros do bloco, reunidos entre quinta-feira e hoje em Bruxelas, descartaram adotar novas medidas de estímulo fiscal para reativar a economia, como pedem os Estados Unidos, e reiteraram que a prioridade agora é a reforma do sistema financeiro internacional.

No entanto, também buscaram expressar a solidariedade europeia e seu compromisso tanto para com os Estados-membros mais frágeis como com os de outras áreas econômicas.

Por isso, e embora considerem que ainda há dinheiro suficiente (15,4 bilhões de euros) na linha de crédito para ajudar os países que não pertencem à zona do euro e cuja estabilidade financeira se veja ameaçada, anunciaram um aumento do teto de empréstimos para até 50 bilhões de euros.

Em dezembro, os membros da UE já aumentaram esse patamar de 12 bilhões até 25 bilhões de euros, e hoje voltaram a fazer o mesmo, para confirmar que, se for preciso, "contam com margem", explicou o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, ao fim do encontro.

Além disso, os europeus expressaram a disposição de facilitar um empréstimo em um valor total de 75 bilhões de euros (algo mais de US$ 100 bilhões) ao FMI, para melhorar sua resposta à crise e para garantir que pode ajudar as economias mais afetadas.

O FMI dispõe de US$ 250 bilhões para esse objetivo -dos quais já utilizou US$ 50 bilhões-, mas calcula que precisará do dobro desse valor.

No marco dos preparativos da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) em 2 de abril em Londres, a UE decidiu hoje se unir ao Japão, que já tinha se oferecido para fornecer à instituição com sede em Washington um empréstimo de US$ 100 bilhões.

Além disso, após vários meses de negociação, os líderes dos países-membros da UE autorizaram hoje a utilização de 5 bilhões de euros do orçamento do bloco para projetos energéticos e ambientais e para estender a banda larga em zonas rurais.

Para satisfazer às exigências da Alemanha, as nações assumiram o compromisso de que a execução dos projetos beneficiados comece antes do fim de 2010, apesar de isto parecer difícil no caso do gasoduto Nabucco - ao qual serão destinados 200 milhões de euros -, cuja conclusão está prevista para 2013.

A Presidência da UE voltou a ressaltar hoje o grande esforço que os países-membros estão fazendo para combater a crise - que cifrou em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco, cerca de 400 bilhões de euros, entre 2009 e 2010 -, e previu que as medidas farão efeito gradativamente.

Antes de decidir se são necessárias novas injeções de dinheiro à economia, os europeus preferem esperar para ver o efeito das já implementadas, como explicou ao fim da reunião o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

Ele considerou que grande parte das medidas está começando a ter reflexo na economia real.

Embora no Conselho Europeu tenha ficado claro que a UE não vai responder na cúpula de Londres ao pedido americano de aprovar novos pacotes fiscais, o presidente da Comissão Europeia (CE, órgão executivo do bloco), José Manuel Durão Barroso, tentou minimizar as diferenças de estratégia entre os dois lados do Atlântico.

Os membros europeus do G20 consideram que este é o momento de se concentrar na reforma do sistema financeiro.

Eles pretendem comparecer à reunião da capital britânica com um amplo catálogo de propostas nesse sentido, que vão desde reforçar o FMI até endurecer a regulação dos bancos e das agências de classificação de riscos, e aumentar a pressão sobre os paraísos fiscais.

"Temos que trabalhar em todas as frentes", ressaltou Durão Barroso, que insistiu em que, em nível global, é preciso tanto um estímulo fiscal coordenado como a reforma do funcionamento dos mercados internacionais.

"Sem estímulo, não teremos recuperação, mas sem reforma financeira, a recuperação não será sustentável", destacou o líder português. EFE epn/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG