UE denunciará no G20 farra dos bônus bancários

Os dirigentes da União Europeia (UE) defenderão na Cúpula do G20 na próxima semana, em Pittsburgh (EUA), a limitação e até a anulação dos bônus pagos pelos bancos, sob certas condições, segundo decisão adotada nesta quinta-feira, em Bruxelas.

AFP |

O texto acertado pelos chefes de Estado e Governo dos 27 países membros prevê a possibilidade de "anulação" dos bônus caso o banco em questão registre uma "evolução negativa".

Além disso, a UE solicita que a "remuneração variável" dos banqueiros seja "fixada num nível adequado em relação à remuneração fixa" e "dependa do desempenho" da entidade para "evitar o pagamento de bônus garantidos".

"Esta noite, a bolha dos bônus estourou", resumiu o primeiro-ministro sueco e atual presidente da UE, Fredrik Reinfeldt, que havia convocado os dirigentes europeus para preparar a Cúpula do G20, nos próximos dias 24 e 25.

"Os bancos, alguns dos quais sobreviveram com o apoio do dinheiro do contribuinte, não deveriam se aproveitar dos bons resultados no futuro, fingindo que a crise (financeira de 2008) foi apenas um pequeno contratempo", disse Reinfeldt.

O primeiro-ministro sueco afirmou que não regular os bônus seria "uma provocação na Europa, especialmente quando enfrentamos a alta do desemprego", que ameaça chegar a 11% em 2010.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, estimou que é preciso ter "tolerância zero diante de qualquer retorno aos maus e velhos tempos".

"Nossos cidadãos estão compreensivelmente horrorizados com as informações indicando que os bancos que receberam diheiro público" durante a crise e "estão pagando bônus exorbitantes", acrescentou.

Depois que os governos precisaram colocar a mão nos cofres públicos para salvar com ajudas bilionárias muitas entidades financeiras à beira da falência, algumas delas retomaram o costume de distribuir polpudos bônus.

Concretamente, os dirigentes europeus respaldaram a proposta feita por França e Alemanha de estabelecer "regras vinculantes" que obriguem os bancos a reduzir os bônus, sob pena de "ameaçá-los com sanções a nível nacional".

"Toda a União Europeia é a favor de uma regulamentação exigente e estrita da remuneração" dos banqueiros, explicou o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

O consenso, no entanto, ainda não cruzou o Atlântico: apesar da revolta da opinião pública americana com o pagamento de bônus estratosféricos a funcionários de bancos salvos da quebra com dinheiro do Tesouro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixou claro esta semana que não pretende estabelecer um teto para o pagamento das bonificações.

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