Bruxelas, 14 nov (EFE).- A União Européia (UE) pretende fazer com que a reforma do sistema financeiro mundial comece imediatamente, e tratará de motivar a Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) a impulsionar uma série de medidas destinadas a aumentar a transparência nos mercados.

Os Governos europeus estão decididos a tornar a reunião "histórica", e querem que nela seja anunciada uma agenda clara de reformas, algumas das quais para entrar em vigor imediatamente.

"Nenhuma instituição, nenhum segmento de mercado e nenhuma jurisdição deve escapar de uma regulação proporcional e adequada, ou pelo menos da vigilância", assegura o documento que os chefes de Estado e de Governo europeus aprovaram visando à cúpula.

Os 27 Estados-membros da UE proporão que as agências de classificação de riscos sejam submetidas urgentemente a registro e a uma maior vigilância.

Ao mesmo tempo, a UE defende a adoção de códigos de conduta para evitar riscos excessivos no setor financeiro, e faz alusão à necessidade de se lutar contra os paraísos fiscais e de se revisar a política de remuneração de dirigentes do mercado.

Além disso, os líderes europeus pretendem avançar rumo a uma maior convergência das normas contábeis e à revisão da aplicação no setor financeiro das regras que obrigam as entidades a enfraquecer o valor de seus ativos em função de sua cotação da Bolsa.

"Não queremos passar de uma ausência de regulamentação a uma etapa de muita regulamentação, mas queremos mudar as regras do jogo financeiro", assegurou Nicolas Sarkozy, presidente da França, país que detém atualmente a Presidência rotativa da UE.

Nesse novo mundo das finanças que os líderes europeus têm em mente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve assumir um "papel central" para um modelo financeiro mais eficaz, em coordenação com o Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês).

Segundo esse enfoque, o FMI deverá ser dotado de recursos necessários e instrumentos apropriados para apoiar os países em dificuldades, e exercer um maior papel de vigilância.

No entanto, a reforma do FMI é um dos pontos que criou certa divisão entre os europeus, pois enquanto países como a França propõem ampliar as competências do órgão, outros consideram que bastaria recuperar as funções originais para as quais foi criado, e que com o tempo foram sendo diluídas.

Em qualquer caso, a UE acredita que "as instituições do século 21 não podem ser as mesmas do século 20", como disseram o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), o português José Manuel Durão Barroso, e vários líderes durante cúpula de chefes de Estado e de Governo do bloco realizada na última semana.

O evento tinha como objetivo definir posturas visando à Cúpula do G20 em Washington. Os Estados-membros da UE também compartilham do sentimento de urgência com relação à necessidade de se reformar o sistema financeiro.

Apesar de nos últimos dias os chefes de Estado e de Governo do bloco não terem voltado a falar sobre a "refundação do capitalismo" - iniciativa defendida há algumas semanas por Sarkozy -, querem decisões "fortes, ambiciosas e operacionais", como explicou o próprio líder francês ao término do encontro da última semana.

"Washington não deve assistir a uma reunião simplesmente para deliberar sobre as causas da crise", ressaltou.

Por isso, os 27 Estados-membros da UE proporão a fixação de um prazo de 100 dias, a ser contado a partir de amanhã, para a convocação de outra cúpula internacional para avaliar os avanços obtidos e traçar novos objetivos.

Entre as opções de longo prazo, a UE aposta na constituição de grupos de supervisores para vigiar a atividade dos grandes grupos financeiros transnacionais e no estabelecimento de um sistema de alerta adiantado para identificar riscos à estabilidade financeira.

Os líderes europeus pedem ainda que a reforma do sistema financeiro seja integrada ao conjunto de desafios globais do século 21, ao lado de problemas de segurança alimentar, a luta contra a pobreza e a mudança climática e a promoção do livre-comércio. EFE mvs/fr

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