UE defende retomada de negociações no O.Médio, apesar de onda da violência

Bruxelas, 22 mar (EFE).- A União Europeia (UE) defendeu hoje a retomada o mais rápido possível das negociações entre israelenses e palestinos, apesar do perigo que a atual onda de violência representa para o reatamento do processo de paz.

EFE |

A recente escalada de violência entre israelenses e palestinos "afeta negativamente" o reatamento das negociações, reconheceu a Alta Representante para a Política Externa da UE, Catherine Ashton, após uma reunião do Conselho de Ministros de Exteriores do bloco.

Os ministros respaldaram a declaração que o Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, UE, ONU e Rússia) emitiu na sexta-feira passada, na qual se apoiou a criação de um Estado palestino independente em 24 meses uma vez que sejam reiniciadas as negociações.

O reatamento das negociações "é o objetivo fundamental" dos esforços internacionais, assinalou Ashton.

As negociações "de aproximação" (de forma indireta, com os EUA como intermediários) deveriam começar "o mais rápido possível", mas devem ser "significativas" e com um "compromisso autêntico" por parte de israelenses e palestinos, destacou a chefe da diplomacia europeia.

Ashton expôs aos ministros o resultado de sua viagem da semana passada pelo Oriente Médio, onde visitou Egito, Síria, Jordânia, Israel e os territórios palestinos da Cisjordânia e de Gaza. Já o enviado especial do Quarteto, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, explicou a atual situação na região.

A responsável comunitária condenou a recente escalada da violência na região, que matou quatro palestinos nas últimas 48 horas na Cisjordânia, em incidentes que "devem ser investigados".

A onda de violência surgiu após o anúncio israelense da semana passada da construção de um bairro de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, o que gerou a rejeição dos palestinos e também da comunidade internacional.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está hoje em Washington para se reunir amanhã com o presidente americano, Barack Obama, que manifestou seu descontentamento pela decisão de Israel.

Em Bruxelas, os ministros comunitários não pouparam críticas à expansão dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos.

Ashton disse claramente que essa atividade "deve concluir", enquanto o chanceler finlandês, Alexander Stubb, considerou a decisão israelense como "totalmente inaceitável" e equiparável ao lançamento de mísseis da Faixa de Gaza contra o território israelense, que causou uma morte na quinta-feira passada.

"Os assentamentos são ilegais", resumiu o titular de Exteriores do Reino Unido, David Miliband, posição compartilhada com o ministro francês, Bernard Kouchner.

Apesar de tudo, Tony Blair considerou hoje que continua havendo "vontade" por parte de palestinos e israelenses de "retomar as negociações diretas o mais rápido possível", apesar dos retrocessos "muito sérios" das últimas semanas.

"Os eventos das últimas duas semanas foram muito sérios, significaram um retrocesso, mas esses contratempos acontecem e o fundamental é retomar" o processo, assinalou o ex-primeiro-ministro britânico após o encontro com os ministros dos 27 países-membros da UE.

Imediatamente depois, Blair discursou no Parlamento Europeu em uma conferência sobre a situação no Oriente Médio na qual ressaltou que a solução dos dois Estados promovida pela comunidade internacional é apoiada pela "maioria de israelenses e palestinos".

O representante do Quarteto para o Oriente Médio se mostrou contra um possível reconhecimento unilateral do Estado palestino por parte da UE e outros atores e defendeu que, acima de "gestos", "a única solução duradoura é negociada".

"Temos que conseguir um processo político claro e construtivo", insistiu.

Blair centrou grande parte de seu discurso na importância de apoiar as autoridades palestinas para reforçar suas capacidades de Governo e impulsionar a economia.

Para concluir a reunião, o ministro de Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, se reuniu hoje em Bruxelas de forma privada com seus colegas da Alemanha, Holanda, Finlândia, Lituânia e Malta, indicaram fontes diplomáticas.

Essa presença de Lieberman se deveu a que, embora tenha sido adiado o Conselho de Associação UE-Israel previsto para esta semana, havia vários encontros bilaterais e atos de arrecadação de fundos que queria cumprir, indicaram fontes diplomáticas. EFE rcf/sa

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